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Desflorestação pode levar a novas pandemias

O grupo “Prevenir Pandemias na Fonte” alerta que a ocupação de espaços naturais e o aumento de contacto e de tráfico de animais é causa de novas doenças. Dizem que para combater as pandemias tem de se começar por combater as suas causas.
Desflorestação em Myanmar. Foto de Adam Cohn/Flickr.
Desflorestação em Myanmar. Foto de Adam Cohn/Flickr.

O grupo “Prevenir Pandemias na Fonte” junta investigadores e ambientalistas e alerta para a necessidade de começar a combater a emergência de pandemias nas suas causas. Para eles, a desflorestação e o tráfico ilegal de animais selvagens poderão causar uma pandemia “muito pior” do que a da Covid-19.

Segundo a organização não-governamental, “por causa da nossa má relação com a natureza, estes eventos já estão a acontecer com mais frequência: mais de 335 surtos de doenças infeciosas emergentes foram notificados em todo o mundo entre 1940 e 2004 – mais de 50 por década”. Num mundo globalizado, os contágios são também eles globais e por isso as epidemias têm mais probabilidades de se tornarem pandemias.

Os especialistas explicam que dois terços das doenças humanas são-nos transmitidas por outras espécies e que este tipo de doenças, as zoonoses, estão a aumentar. Gripe, VIH, Zika e Ébola são exemplos disso. O contacto com animais não familiares aumenta à medida em que cresce o uso de terrenos até então naturais para uso agrícola, para pastagens e exploração madeireira.

Assim sendo, o “Prevenir Pandemias na Fonte” critica a inação da chegada de uma pandemia que não foi propriamente uma surpresa para os peritos: "Sabíamos que uma pandemia estava a chegar, mas, como comunidade global, ainda não tomámos medidas para a prevenir ou para nos prepararmos adequadamente para ela. Como resultado, estamos perante uma emergência sanitária mundial de proporções épicas, juntamente com uma crise económica global e um enorme sofrimento humano”.

Agora, é tempo de combater a Covid-19 mas também de prevenir o futuro. Por isso, o grupo defende uma estratégia coordenada e preventiva dos governos mundiais e mais investimento no meio ambiente. Isto porque “as pandemias são um problema sistémico com raízes espalhadas por muitos setores".

"Para chegar eficazmente a essas raízes, será necessário diálogo e ações coordenadas entre setores, particularmente na saúde e ambiente, mas também na agricultura, comércio, alimentação e nutrição, que não estão habituados a falar uns com os outros, quanto mais a trabalhar em conjunto”, alerta este grupo.

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