Os três partidos com mais votos nas eleições que aconteceram na passada terça-feira, na Gronelãndia, defendem todos a independência do território face à Gronelândia. As eleições foram marcadas pela tensão entre a Dinamarca e os Estados Unidos da América, uma vez que Donald Trump insinuou várias vezes que teria interesse em anexar o território “por razões de segurança nacional”.
O Inuit Ataqatigiit (traduz-se para “Comunidade do Povo”), partido socialista representado pelo primeiro-ministro, sofreu uma derrota e acabou em terceiro lugar com 21% dos votos. O vencedor das eleições é o partido liberal Demokraatit (“Democratas”), com 29% dos votos, mas ambos os partidos defendem a independência da Gronelândia de forma faseada.
Em segundo lugar, com 25% dos votos, ficou o Naleraq (“Ponto de Orientação”), partido populista que se afirma de “centro” e cuja plataforma é baseada numa posição pró-independência de forma imediata. O partido defende relações mais próximas com os Estados Unidos da América, e o seu resultado não estará desligado da grande discussão em torno do assunto que foi fruto das afirmações do presidente estadunidense.
Em 2009, foi aprovado por referendo o Estatuto de Autodeterminação, que garante à Gronelândia uma grande autonomia face à Dinamarca. O território gere-se autonomamente, podendo explorar os seus recursos como entender. O Direito Internacional e o Direito Constitucional Dinamarquês preveem que os habitantes da região poderão eventualmente tornar-se independentes quando votarem a favor da independência.
Segundo o Expresso, basta que a maioria do parlamento gronelandês vote para iniciar o processo de independência, que é marcado pelas negociações com o governo dinamarquês, seguido por um referendo na Gronelândia e finalmente a aprovação no parlamento dinamarquês.
Certo é que a importância geopolítica da Gronelândia tem aumentado, devido às alterações climáticas. O degelo significa que novas rotas marítimas podem ser abertas e que novas zonas da ilha, anteriormente inacessíveis e cheias de recursos, se tornem disponíveis para exploração. As declarações de Donald Trump já evidenciam que o território poderá ser alvo de apetites imperialistas e de disputas geoestratégicas.