No debate de urgência com o primeiro-ministro sobre a resposta aos incêndios, esta quarta-feira na Assembleia da República, não faltaram críticas à atuação do Governo - ou à falta dela - durante as semanas em que a área ardida se tornou a maior da União Europeia em proporção ao território de cada país.
“Há alguma outra razão, que não o descaso e a incompetência, para a negligência por parte do governo que vimos na resposta aos incêndios deste ano?”, perguntou Mariana Mortágua a Luís Montenegro.
Incêndios
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A coordenadora do Bloco começou por prestar solidariedade com bombeiros e populações afetadas, transmitindo em seguida algumas das perguntas que lhe fizeram vários bombeiros de um grupo que encontrou esta semana no Fundão. Perguntas dirigidas ao Governo, como a de saber porque é que em 45 medidas anunciadas pelo Conselho de Ministros, nenhuma se destina aos bombeiros, ou “porque é que não houve coordenação na deslocação de meios”, levando os bombeiros “a andar para baixo e para cima no país em carros com 30 e 40 anos a 90km/h e a chegarem exaustos aos incêndios que era suposto combaterem”.
Outra pergunta dos bombeiros, desta vez dirigida a si própria mal a viram chegar, foi “se estava ali para gravar um vídeo para as minhas redes sociais com um raminho a fingir que apagava um incêndio, como o deputado André Ventura”, contou Mariana, concluindo que “a seriedade com que cada um enfrenta estes momentos fala por si”. A pergunta do bombeiro irritou Ventura e a bancada do Chega, obrigando o Presidente da Assembleia da República a interromper a intervenção da coordenadora do Bloco durante cerca de um minuto, até que a irritação passasse.
“O Governo não faz nada e ainda achou que era sensato desviar 120 milhões da gestão da floresta para outros fins”
De novo com a palavra, Mariana concedeu que “o Governo não controla as alterações climáticas nem pode controlar o fogo posto”, mas o facto é que “não preparou a época dos incêndios e a ministra ainda nos veio dizer que tem meios mais do que suficientes para fazer o combate em agosto”, o que depressa se provou ser falso.
“Com aviões Canadair avariados no mês de maiores incêndios, helicópteros em manutenção na zonas com mais risco de incêndio, tripulantes em falta para esses helicópteros, detetores de fumo e mecanismos de vigilância em falha na altura dos incêndios, o Governo não faz nada e ainda achou que era sensato desviar 120 milhões da gestão da floresta para outros fins”, prosseguiu Mariana Mortágua.
Outra crítica deixada pela coordenadora do Bloco foi o adiamento do pedido de ajuda internacional para reforçar meios de combate numa altura em que o país tinha as “populações sozinhas e bombeiros sem saber para onde vão” numa floresta ocupada por eucaliptos que aceleram a propagação dos incêndios e com meios aéreos avariados.