Derrame de petróleo causa desastre ambiental "sem precedentes" nas Maurícias

17 de agosto 2020 - 10:00

Cargueiro japonês partiu-se em dois no sábado. Greenpeace África alerta que "milhares" de espécies animais correm "o risco de se afogar num mar de poluição, com terríveis consequências para a economia, segurança alimentar e saúde" e defende que esta crise ecológica deveria servir para “acelerar o fim do uso de combustíveis fósseis”.

PARTILHAR
O cargueiro MV Wakashio encalhou a 25 de julho em Pointe d'Esny. Imagem BBC News.

O cargueiro MV Wakashio, de propriedade japonesa e bandeira do Panamá, encalhou a 25 de julho em Pointe d'Esny, um conhecido santuário de vida selvagem rara. A área abrange zonas húmidas designadas como local de importância internacional pela Convenção de Ramsar. Das perto de 4 mil toneladas de combustível existentes na embarcação, cerca de 3 mil foram bombeadas.

Entretanto, no sábado, o navio colapsou, sendo que, de acordo com a BBC News, ainda estariam no interior da embarcação 90 toneladas de crude. A 11 de agosto, a empresa norte-americana Ursa Space Systems, através de dados de radar dos satélites finlandeses Iceye, detetou um derrame de 27 km2.

A Greenpeace África alertou que "milhares" de espécies animais correm "o risco de se afogar em um mar de poluição, com terríveis consequências para a economia, segurança alimentar e saúde". O diretor de campanhas de clima e energia em África, Happy Khambule afirmou, em declarações à agência Efe, que esta crise ecológica deveria servir para “acelerar o fim do uso de combustíveis fósseis”.

Mokshanand Sunil Dowarkasing, assessor ambiental nas Maurícias, alertou que “o impacto deste derrame de petróleo vai durar muito tempo”, defendendo a urgência de uma “avaliação independente” dos danos causados tanto na fauna e flora marinhas como na economia local.

De acordo com Dowarkasing, o “verdadeiro impacto” desta tragédia só poderá ser apurado daqui a cerca de um ano. Só então “se saberá se os manguezais serão ou não capazes de sobreviver a esta contaminação, se germinará ou não novo coral nas lagoas, etc”.

“Preocupa-me não só o impacto ecológico deste desastre, mas também a repercussão que terá na forma de ganhar a vida das pessoas, em especial das mulheres que vivem da pesca o da manutenção dos barcos”, avançou, por outro lado, a ativista local Trisha Gukhool.

Um oceanógrafo e engenheiro ambiental mauriciano, Vassen Kauppaymuthoo, relatou à BBC que os residentes locais estão a respirar “pesados ​​vapores de óleo" e que existe uma "mistura de tristeza e raiva" entre a população local.

O governo das Maurícias já informou que “responsabiliza o proprietário e o segurador do cargueiro por todas as perdas e danos causados”, aanunciando a criação de uma plataforma eletrónica para reunir os pedidos de indemnização. “Todos os pedidos feitos [nesta plataforma] serão canalizados para os armadores e/ou o segurador para avaliação e aprovação”, lê-se no comunicado.

A Nagashiki Shipping, proprietária do MV Wakashio, garantiu que irá pagar uma compensação “de acordo com a lei” e a Autoridade Marítima do Panamá (AMP) anunciou que irá colaborar nas investigações.