Demissão da ministra da Administração Interna “era a única saída”

10 de fevereiro 2026 - 23:14

Maria Lúcia Amaral demitiu-se e Luís Montenegro assume provisoriamente a pasta. José Manuel Pureza diz que “o país exige mudanças, não apenas demissões”.

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Maria Lúcia Amaral
Maria Lúcia Amaral. Foto do Grupo Parlamentar do PSD.

A ministra da Administração Interna demitiu-se esta terça-feira. A demissão foi anunciada em nota da Presidência da República, que afirma que Maria Lúcia Amaral “entendeu já não ter as condições pessoais e políticas indispensáveis ao exercício do cargo” e que será Luís Montenegro a assumir as suas funções até à escolha para a substituir.

A saída da ministra acontece após o fracasso da resposta do Governo e da Proteção Civil sob tutela de Maria Lúcia Amaral às consequências trágicas da depressão Kristin. A ministra tardou em ir ao terreno e justificou a ausência com o trabalho “em contexto de inviabilidade, no gabinete”. Mais tarde soube-se que no dia da tempestade que devastou o país, Maria Lúcia Amaral e o secretário de Estado da Administração Interna mantiveram a sua agenda para comparecerem numa cerimónia de entrega de espadas no comando da GNR em Lisboa.

O coordenador do Bloco de Esquerda reagiu à notícia da demissão, considerando que esta “era a única saída” para Maria Lúcia Amaral face aos acontecimentos das últimas semanas.

“A ministra desapareceu na primeira fase desta crise e as pessoas acharam que isso era mau; depois apareceu e as pessoas acharam que era pior”, afirmou José Manuel Pureza à SIC Notícias. Para o coordenador bloquista, “em primeiro lugar [a ministra] manifestou a sua total incapacidade de dar uma resposta e em segundo lugar a forma como se pronunciou publicamente sobre esta matéria mostra inadaptação a estas responsabilidades”.

Num plano mais geral de responsabilidade política, Pureza diz que “entre a falta de prevenção e o erro na resposta, o Governo falhou no seu dever mais básico: proteger o nosso povo. Milhares de famílias pagaram o preço da incompetência e do abandono”, concluindo que “o país exige mudanças, não apenas demissões”.

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