Delegação do INEM no Algarve sob ameaça de extinção. “É inaceitável”, diz Pureza

21 de fevereiro 2026 - 17:51

O coordenador do Bloco reuniu em Loulé com dirigentes da delegação algarvia do INEM e afirmou que o seu eventual encerramento seria “um atentado contra a segurança das pessoas no Algarve”.

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Delegação regional algarvia do INEM em Loulé
Delegação regional algarvia do INEM em Loulé. Foto INEM

No âmbito da restruturação do sistema de emergência médica, o Governo nomeou uma comissão que produziu um relatório que exclui a delegação regional do INEM do Algarve do organograma do futuro Serviço Público de Emergência Médica e Pré-Hospitalar, mantendo centrais em Lisboa, Porto e Coimbra.

Este sábado, José Manuel Pureza reuniu em Loulé com dirigentes da delegação algarvia do INEM e diz que o seu eventual encerramento é “absolutamente inaceitável” e “o que está em causa é a segurança das pessoas” no Algarve.

Lembrando que a autonomia do INEM algarvio foi perdida no tempo da troika e recuperada em 2023, Pureza criticou o relatório por ignorar a existência deste serviço no Algarve e propor “o regresso a uma situação em que o INEM Algarve não existia autonomamente”. A nova sede da delegação foi inaugurada em 2024 pela atual ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e representou um investimento de 1,8 milhões de euros por parte do município.

“É irresponsabilidade pura acabar com este serviço, tirar-lhe autonomia e existência própria. Com esta visita, o Bloco quer simbolizar a preocupação e a nossa vontade de fazermos o que estiver ao nosso alcance para evitar que isto se concretize”, prosseguiu o coordenador bloquista, apelando à ministra da Saúde “que não se atreva a seguir aquilo que está enunciado no relatório, porque isso é um atentado contra a segurança das pessoas no Algarve e contra o seu direito à saúde”.

José Manuel Pureza diz que uma prova da necessidade da autonomia regional deste serviço ficou patente nas últimas semanas, quando as “necessidades de emergência depararam com uma ausência de serviços organizados no território, o Governo e o poder central estiveram ausentes”. Mais uma razão para não se poder aceitar “este desinvestimento sistemático em serviços de proximidade com a comunidade” e no caso do Algarve “ainda mais, porque é a única região do país que durante três meses triplica a sua população residente”, tem visto adiada a promessa do novo hospital e onde “as pessoas têm que muitas vezes ser enviadas para Lisboa para poderem ter os cuidados clínicos necessários”. Acresce a isso a dificuldade de fixar profissionais por causa dos preços da habitação, uma “questão de política nacional que precisa de ser resolvida com coragem”, concluiu.

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