Como aderente do Bloco venho aqui dar o meu modesto contributo ao debate que se está a realizar sobre a situação política e os resultados eleitorais. Ainda que considere redutora esta visão sem olhar para o passado, principalmente para as eleições de 2009 e para o que o penso que o Bloco pretendia construir - uma verdadeira alternativa à esquerda.
Do ponto de vista destes resultados eleitorais o Bloco obteve uma grande derrota, com a perda de 8 deputados relativamente às últimas legislativas de 2009, esta análise parece-me ser consensual.
Em 2009, o Bloco conseguiu convergir com as forças de esquerda em protesto contra o PS e contra José Sócrates e o seu governo, o que se traduziu numa vitória para a esquerda e para o Bloco, pelo trabalho de oposição que assumiu no quadro parlamentar. Aqui a luta deixou-nos mais fortes.
As alianças resultantes da falta de oposição da direita, inerentes à anuência com as politicas neoliberais e de direita do PS, por um lado, e a maioria absoluta conquistada no mandato anterior a 2009, por outro, não criaram a necessidade de oposição por parte da direita composta por PSD e CDS, antes pelo contrário, deram o seu apoio ao PS no que sempre pretenderam fazer no país. A oposição era da esquerda - do Bloco e da CDU.
A falta de alternativa do eleitorado clássico, que vota na alternância de poder, conduziu o Bloco ao maior resultado eleitoral de sempre em 2009, como partido da oposição e isso não passou em claro na campanha feita contra o Bloco em 2011, que até se substituiu ao PS como alvo, ou, se preferir-mos como adversário político.
Então porque caiu o Bloco juntamente com o PS? Por ser a esquerda a cair no seu conjunto?!
Estas questões não são claras e deviam ser aprofundadas – a CDU não caiu, antes pelo contrário, ganhou votos e um deputado. Então por que razão foi o Bloco penalizado pelo eleitorado que queria o PS e o Sócrates fora do Governo? Quando temos uma herança de quase 1 milhão de desempregados e um país falido? Terá sido por termos feito o mesmo que a CDU e não apresentar os nossos pontos de vista com a Troika?! Sabendo antecipadamente que já não havia nada a negociar num quadro de falência e que apenas iria sobrar o acordo para o programa de governo, o que nem sequer foi discutido nas campanhas dos executantes da Troika! Então não nos podemos queixar de não ter ido a esta pseudo negociação, sob pena de perda de credibilidade, o que a meu ver o Bloco continua a ter.
Quem votou na direita apenas quis assegurar-se que o PS não formava governo, mesmo que o PSD o tivesse de fazer, como o fez com o CDS, com a esquerda é que o PS nunca o faria.
As aproximações do Bloco ao PS foram prematuras e conduziram à perda de eleitorado e de 6 anos de trabalho de oposição, resultado de decisões pouco amadurecidas, pelos menos do que se tenha conhecimento público. Esta problemática merece ser refletida com a mesma frontalidade de todas as outras e não com a leviandade com que tem sido tratada por ser inconveniente. Não me parece ser este o caminho para uma esquerda grande que se pretende construir. Mas sim deixar a esquerda seguir o seu próprio caminho.
Vítor Antunes
Aderente 8098