O primeiro-ministro defendeu, esta segunda-feira, que a subida da dívida pública em percentagem do produto interno bruto não se deveu a qualquer falha na política do governo.
“A dívida não tem aumentado por estarmos a contrair novas dívidas ou por estarmos a exagerar nas nossas despesas”, disse Passos Coelho aos jornalistas.
Só Grécia e Itália têm percentagem de dívida maior
O valor do final de março é de 127,2% do PIB e corresponde a um agravamento de 14,9 pontos percentuais em relação aos 112,3% do PIB que Portugal registava um ano antes. O gabinete oficial de estatísticas da União Europeia mostra que só a Grécia (160,5%) e a Itália (130,3%) registaram, entre janeiro e março deste ano, rácios de dívida pública em percentagem do superiores ao de Portugal (127,2%), enquanto os mais baixos pertenceram à Estónia (10%), à Bulgária (18%) e ao Luxemburgo (22,4%).
Na zona euro, o rácio de dívida pública em percentagem do PIB aumentou de 90,6% no quarto trimestre de 2012 para 92,2% nos primeiros três meses deste ano, enquanto na UE foi registada uma subida de 85,2% para 85,9%.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2012, a dívida pública subiu de 88,2% para 92,2% no conjunto dos 17 países que partilham a moeda única e aumentou de 83,3% para 85,9% na UE.
Culpa é da contração da economia, não é do governo, diz Passos
Passos Coelho defendeu que um dos fatores para a subida da dívida em relação ao PIB é a contração da economia: “O rácio de dívida aumenta porque o produto interno bruto nominal, com a recessão, diminuiu”, disse Passos Coelho. Ora acontece que a recessão é uma consequência óbvia da política da austeridade, o que, aliás, é reconhecido pelas instituições que fazem os cálculos do PIB português.
Ainda na semana passada o boletim de Verão do Banco de Portugal reviu a evolução da economia nacional para uma quase estagnação no próximo ano (crescimento de 0,3% da economia em 2014 face a 1,1% previstos anteriormente), justificando a revisão com “o impacto da incorporação de medidas de consolidação orçamental”, que “dão origem a uma queda muito pronunciada no volume do consumo público em 2014, uma vez que o conjunto de medidas de corte da despesa implica uma forte diminuição do número de funcionários das administrações públicas”.
“Mas em que mundo é que vive o PSD? No mundo da lua, ficcional e longe da realidade", disse recentemente a coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins.