Custos do trabalho caíram 8,8% no 4º trimestre de 2014

14 de fevereiro 2015 - 13:15

Dados do INE revelam que a redução de custos no setor público chegou a 16,5%. Estudo do economista Eugénio Rosa mostra que entre 2011 e 2014 registou-se uma redução do poder de compra dos trabalhadores do setor privado de 11,5%, e de 22,1% dos da Administração Pública.

PARTILHAR
Redução dos custos de trabalho tem sido constante. Foto ode Paulete Matos
Redução dos custos de trabalho tem sido constante. Foto ode Paulete Matos

Os custos do trabalho diminuíram 8,8% no quarto trimestre de 2014, em termos homólogos, revelou na sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

A queda reflete sobretudo uma redução de 16,5% no setor público. Os custos do trabalho representam o custo médio horário suportado pelo empregador e correspondem aos valores salariais e a despesas como contribuições para a Segurança Social, indemnizações por despedimento, seguros de acidentes de trabalho, prestações complementares de reforma e invalidez.

Obsessão da troika

A diminuição dos custos do trabalho foi sistematicamente exigida pela troika. A famosa redução da taxa social única (TSU), medida avançada pela troika, provocou a primeira crise do governo PSD-CDS em 2012. Depois da manifestação Que se Lixe a Troika de 15 de setembro de 2012, a medida seria abandonada, mas o governo prosseguiu na sua cruzada geral para reduzir os custos do trabalho, usando outras medidas.

Os dados do INE mostram como a transferência de rendimentos do trabalho para o capital continua a ocorrer, sempre em benefício deste último.

Os dados do INE mostram como a transferência de rendimentos do trabalho para o capital continua a ocorrer, sempre em benefício deste último.

Reduções do 4º trimestre de 2014

Entre outubro e dezembro de 2014, os custos salariais tiveram uma diminuição de 9,7% face ao mesmo período do ano anterior, enquanto os outros custos decresceram 5,8%.

No setor público da economia, os custos médios do trabalho tiveram uma redução face ao período homólogo, devido ao não pagamento do subsídio de férias em 2014 (pago no trimestre homólogo de 2013), o que significou uma queda de 19,2% nos custos salariais e de 9,1% nos outros custos.

No setor privado, o decréscimo homólogo foi de 3,4%, repartido entre -3,6% dos custos salariais e - 2,7% na rubrica "outros custos".

A construção foi o setor no qual os custos mais se reduziram (-6,7%), seguindo-se a indústria (-4,6%) e os serviços (-2%).

Perda de poder de compra entre 2011 e 2014

De acordo com um estudo do economista Eugénio Rosa, entre 2011 e 2014 registou-se uma redução do poder de compra dos trabalhadores do setor privado de 11,5%. Os trabalhadores da Função Pública tiveram uma perda de poder de compra duas vezes maior: como consequência do efeito conjugado do corte das remunerações nominais, do aumento enorme de impostos e dos descontos para a ADSE, o poder de compra dos trabalhadores da Administração Pública, entre 2010 e 2014, reduziu-se em 22,1%.

O mesmo estudo mostra que, segundo os dados do Eurostat, já em 2012 (são os últimos dados disponibilizados pelo serviço oficial de estatísticas da UE) , os custos do trabalho em Portugal eram apenas 53,1% da média dos países das UE e 46,9% da média dos países da zona euro. E o salário médio em Portugal correspondia apenas a 56,4% do médio da UE e a 51,2% do da zona euro.