Em comunicado, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações denuncia que os CTT, apesar de terem tido 38,4 milhões de euros em lucros, dos quais 18 milhões vão “para o bolso dos acionistas como dividendos” e 20 milhões para recompra de ações, têm “a distinta lata” de apenas querer fazer um aumento mensal de cinco euros para os seus trabalhadores.
Isto significa que a empresa mais que duplicou os resultados e vai pagar dividendos de 0,12 euros por ação, ou seja mais 40% que o ano passado, e prevê recomprar até 3,1% do capital (cerca de 4,65 milhões de ações, o que equivalerá a 21,3 milhões de euros).
O sindicato explica que estes ganhos foram feitos “à custa da degradação da prestação do Serviço Postal Universal”, de “más condições de trabalho, da redução de pessoal, da sobrecarga de trabalho e, tantas vezes, de trabalho não pago”, de uma política de salários baixos (e consequente desqualificação profissional) e da viciação das avaliações de desempenho em que atingidos os 5 pontos o trabalhador passa de “bestial a besta” para que não atinja o 6º ponto necessário à mais que merecida promoção”.
Onde a empresa não poupa será nas remunerações e salários “chorudos” da sua Comissão Executiva, critica-se. A proposta de aumento salarial é assim considerada uma “afronta”. Tanto mais que a administração se desresponsabilizou pela “falta de cuidados de prevenção quanto à pandemia” e nos locais de trabalho “continuam a faltar meios de prevenção e, genericamente, até de limpeza”.
A direção sindical critica ainda a decisão do governo de António Costa de “não renacionalizar os CTT quando os mesmos valiam menos que o valor recebido pelo Estado aquando da sua criminosa privatização e que podia ter reforçado os Cofres do Estado” e a “tramoia” da renegociação à pressa do Contrato de Concessão para a Prestação do Serviço Público Postal, com a “vergonhosa desautorização da ANACOM” e uma alteração da Lei Postal, em que o executivo vem “dar mais dinheiro aos CTT – perdoando-lhes o mau Serviço Postal Universal” e “incentivando à continuação da degradação do mesmo”.
O SNTCT exige assim que os lucros “se reflitam” nos aumentos salariais, na reformulação das progressões salariais, no aumento mais que necessário do Abono para Falhas, “tudo isso em concomitância com a criação de mais e melhores condições de trabalho e, claro, com a admissão de Trabalhadores em número suficiente para que um dia, almejamos isso, todos os Trabalhadores CTT possam voltar a ter orgulho na Empresa em que trabalham”.