Crise económica põe em causa saúde dos gregos

14 de outubro 2011 - 0:44

A saúde dos gregos está à beira do colapso. O alerta parte de um conjunto de académicos que publicou um estudo, na revista Lancet, sobre o impacto da crise no dia-a-dia deste país. Os números são preocupantes e, dizem os autores do estudo “Health effects of financial crisis: omens of a Greek tragedy”, os gregos “arriscam-se, “nos piores casos, a perder as suas vidas”.

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A catástrofe económica na Grécia está a ter um profundo impacto na saúde pública e nos cuidados de saúde prestados aos cidadãos. Esta é a conclusão de um grupo de cinco investigadores, incluindo Alexander Kentikelenis e David Stuckler da Universidade de Cambridge, num estudo publicado na revista Lancet.

De acordo com este grupo de médicos e investigadores, o número de gregos que reconhece que não tem recorrido ao médico ou ao dentista, mesmo quando se sente doente, não tem parado de aumentar desde 2009. Embora realcem que a correlação com a crise pode não ser directa, os autores não deixam de relacionar estes dados com o impacto na diminuição da oferta e os cortes de 40% em alguns serviços de saúde. O número de gregos que retrata a sua condição de saúde como “má” ou muito “má” também tem crescido.

A crescente incerteza sobre o futuro e as condições de vida cada vez mais precárias dos gregos já se reflectem em vários indicadores sociais e de saúde pública. De 2007 para 2009, o número de suicídios aumentou 17% e, de acordo com o ministro da Saúde grego, a tendência acentuou-se nos primeiros seis meses deste ano, período que viu esta taxa subir mais 40%.

Também o número de pessoas a receber subsídio de doença caiu e, com as limitações que têm sido colocadas ao seu acesso, deverá continuar a diminuir ainda mais. Os homicídios e roubos quase duplicaram entre 2007 e 2009.

O consumo de droga, nomeadamente a heroína, tem vindo a disparar, resultado para o qual não terá sido indiferente a quase extinção dos programas de combate à toxicodependência. O aumento da prostituição e do consumo de drogas contribui, decididamente, para o aumento do número de infecções de HIV.

"A situação da saúde da Grécia é preocupante. Lembra-nos que, num esforço para financiar as suas dívidas, as pessoas comuns estão a pagar o preço derradeiro: perder acesso a serviços de prevenção, enfrentam riscos mais elevados de HIV e de doenças sexualmente transmissíveis, e, nos piores casos, a perder as suas vidas. Mais atenção à saúde e ao acesso à saúde é necessário para garantir que a crise grega não mina aquele que é o recurso último da riqueza do país - as suas pessoas".