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A crise do euro está de volta?

Itália, Portugal, Espanha e Grécia voltaram a ver os juros da dívida pública disparar, tal como na última crise, depois das mensagens contraditórias de Lagarde sobre a atuação do BCE. Os desequilíbrios da zona euro não desapareceram... Artigo de Vicente Ferreira em Ladrões de Bicicletas.
A crise do euro está de volta?

Itália, Portugal, Espanha e Grécia voltaram a ver os juros da dívida pública disparar, tal como na última crise, depois das mensagens contraditórias de Lagarde sobre a atuação do BCE. Os desequilíbrios da zona euro não desapareceram, só que desta vez a política monetária já está próxima dos seus limites e Lagarde não é Draghi.

Por outro lado, da reunião do Eurogrupo saiu um comunicado tímido em que não se avança nenhum novo plano de investimento público coordenado entre os países, além da garantia de que os estabilizadores automáticos vão funcionar e de uma referência vaga à possibilidade de recurso ao Mecanismo Europeu de Estabilidade. Sem surpresas, é mais um exemplo de medidas demasiado curtas, demasiado tarde, às quais fomos habituados durante a última crise. Só que desta vez temos uma pandemia para juntar à recessão e as consequências são imprevisíveis.

No Financial Times, Wofgang Munchau escreveu ontem que "sem o apoio do BCE, mais italianos, não só na extrema-direita, vão perguntar-se se devem sair da zona euro e recuperar o controlo sobre as taxas de câmbio e de inflação. Os italianos têm motivos para se sentirem desiludidos com Lagarde e com a UE." O mesmo se aplica aos outros países periféricos, o que significa que o futuro do euro está, de novo, em risco. Veremos quem os responsáveis europeus vão culpar desta vez.


Publicado por Vicente Ferreira em Ladrões de Bibicletas.

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