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Crise climática: Painel de cientistas da ONU agrava previsões

O relatório provisório do Painel Intergovernamental de Especialistas traça um cenário mais sombrio do que anterior. Mesmo com uma forte redução de emissões de gases com efeito de estufa, dezenas de milhões de pessoas serão afetadas por doenças, secas e fomes.
Manifestação pelo Clima. Foto de Gustave Deghilage/Flickr.
Manifestação pelo Clima. Foto de Gustave Deghilage/Flickr.

O relatório provisório do Painel Intergovernamental de Especialistas sobre Alterações Climáticas (IPCC), um documento de quatro mil páginas elaborado por mais de 700 cientistas de várias partes do globo, conhecido esta quarta-feira, conclui que mesmo que as emissões de gases com efeito de estufa fossem reduzidas a partir de agora, a vida no planeta irá mudar drasticamente nas próximas décadas. Dezenas de milhões de pessoas serão afetadas por doenças, secas e fomes causadas pelas alterações globais e haverá ondas de calor extremas. Um diagnóstico ainda mais sombrio do que o estudo anterior de 2018.

A France Presse divulgou o conteúdo de um estudo que defende que muitas das consequências do aquecimento global são já inevitáveis, apesar de existirem decisões políticas que as podem mitigar. Alerta-se, contudo, que “o pior ainda está por vir, afetando muito mais a vida de nossos filhos e netos do que a nossa”. Para além das consequências na saúde humana, aumentará a extinção de espécies, existirão ecossistemas que irão colapsar, a duração e intensidade dos incêndios aumentará e a subida do nível do mar irá ameaçar as cidades ribeirinhas.

O IPCC diz não comentar o conteúdo de relatórios preliminares porque “o trabalho ainda está em andamento”. A versão final deverá ser aprovada em fevereiro do próximo ano mas deverá estar já pronta na altura da próxima Conferência Climática da ONU, COP26, que acontece em novembro, em Glasgow, na Escócia, com um ano de atraso por causa da pandemia.

Não se espera que o texto final altere as conclusões principais agora conhecidas. A primeira é mesmo sobre este impacto devastador do aquecimento para mais 1,1 grau Celsius do que os níveis pré-industriais que já vivemos atualmente. Recorde-se que a meta do Acordo de Paris, de 2015, era os 2 graus e os 1,5 se possível. Mas, mantendo as tendências atuais, estamos a caminhar para um aquecimento de 3 graus, na melhor das hipóteses.

A segunda conclusão é que “os níveis atuais de adaptação são inadequados para responder aos riscos climáticos futuros”. Calculando-se que dezenas de milhões de pessoas sejam, até 2050, atingidas pela fome crónica, que numa década mais 130 milhões vão enfrentar pobreza extrema, que centenas de milhões de habitantes de cidades costeiras sofram com cheias e outras consequências da elevação do nível do mar e que outros 350 milhões nas zonas urbanas vivam escassez de água devido a secas severas se o aquecimento global fosse de 1,5 graus, passando a 410 milhões num cenário de aumento de 2 graus.

Em terceiro lugar, o texto assinala vários pontos de não retorno do aquecimento global como o derretimento das camadas de gelo Gronelândia e na Antártida Ocidental que aumentar o nível dos oceanos em 13 metros ou a transformação da Bacia do Amazonas de floresta tropical em savana.

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