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Covid-19 já matou mais de cem mil pessoas em África

A responsável da OMS para o continente africano, Mathsidiso Moeti, diz que em janeiro as mortes aumentaram 40% em comparação com os meses anteriores e alerta que este é um trágico aviso de que os sistemas de saúde dos países de África, “estão – perigosamente – em rutura”.
Enterro de uma vítima de covid-19 no Zimbabwe, 20 de janeiro de 2021 – Foto de Aaron Ufumeli/Epa/Lusa
Enterro de uma vítima de covid-19 no Zimbabwe, 20 de janeiro de 2021 – Foto de Aaron Ufumeli/Epa/Lusa

O continente africano já ultrapassou as cem mil mortes causadas pela covid-19, de acordo com os dados do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana, que avisa também que há uma escassez de equipamentos de oxigénio. Além disso, os 54 estados que compõem o continente não conseguiram lotes de vacinas contra a covid-19 e a variante sul-africana é uma ameaça de aumento do número de contágios. O continente é habitado por 1.300 milhões de pessoas.

Mathsidiso Moeti disse também aos jornalistas que nas últimas semanas morreram mais de 22 mil pessoas em África, devido à pandemia. O aumento do número de mortes foi um "trágico aviso que indica que os profissionais de saúde e os sistemas dos vários países em África estão - perigosamente - em rutura", salientou a responsável da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo a Lusa, os especialistas referem que por todo o continente muitas pessoas têm morrido e os seus óbitos não constam das listas oficiais de vítimas mortais.

"Não estamos a contar todas as mortes, especialmente as que ocorreram na segunda vaga", disse John Nkengasong do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana. O virologista camaronês acrescentou que, apesar de "não se ver um aumento massivo de mortes", a maior parte das pessoas no continente conhece alguém que morreu de covid-19. E, acrescentou que “as pessoas estão a morrer devido à falta de cuidados básicos”, apontando que há falta de meios como aparelhos de respiração assistida.

Salim Abdool Karim, conselheiro do governo da África do Sul para as questões da pandemia, diz que "a segunda vaga veio com muita força em parte por causa da nova variante (da África do Sul), e porque se verificaram condições de 'super disseminação'" como o período de férias.

A Tanzânia, país que tem 60 milhões de habitantes, deixou de atualizar os números em abril de 2020, não se conhecendo o número de infeções ou de mortes.

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