"Gerir a Saúde não é o mesmo que gerir uma repartição de Finanças", alerta o bastonário da Ordem dos Médicos num artigo de opinião publicado esta segunda-feira no Jornal de Notícias.
José Manuel Silva explica "As 10 razões da congestão das urgências" que já provocaram várias mortes nas últimas semanas entre os doentes à espera de atendimento. Entre elas encontram-se a redução do tempo de abertura dos centros de saúde e Unidades de Saúde Familiar, a falta de contratação de médicos para fazer face às 1400 saídas dos que se reformaram, ou o encerramento de muitos Serviços de Atendmento Permanente que deixou muita gente com doença aguda não urgente sem outra solução para além das urgências hospitalares.
"Os hospitais não têm autonomia, foram asfixiados financeiramente, com cortes acima das imposições da troika, e levados à falência técnica pelo Ministério da Saúde", prossegue José Manuel Silva, que acusa também o Ministério da Saúde de não ter feito "o planeamento e preparação atempada para o Inverno".
O encerramento de milhares de camas hospitalares de doentes agudos, "quando Portugal já tinha um número insuficiente de camas" e a redução das equipas de urgência nos hospitais "abaixo dos limites mínimos de segurança, até para a procura de rotina", também ajudaram a semear o caos das urgências nas últimas semanas.
Por outro lado a proibição dos hospitais contratarem médicos, atribuindo as contratações a empresas de mão-de-obra temporária, levou a uma "permanente rotação de médicos desconhecidos, impedindo a formação de equipas de trabalho", acrescenta o bastonário.
"Os hospitais não têm autonomia, foram asfixiados financeiramente, com cortes acima das imposições da troika, e levados à falência técnica pelo Ministério da Saúde", prossegue José Manuel Silva, que acusa também o Ministério da Saúde de não ter feito "o planeamento e preparação atempada para o Inverno".
Neste contexto, "Os cuidados continuados não têm capacidade de resposta às necessidades e não têm meios para tratar as intercorrências clínicas dos doentes institucionalizados, obrigando ao recurso às urgências hospitalares", conclui o bastonário.