Uma greve conjunta dos sindicatos dos CTT afetos à CGTP e à UGT, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações e o Sindicato Democrático dos Trabalhadores dos Correios, Telecomunicações, Media e Serviços, está marcada para esta sexta-feira. Os trabalhadores exigem aumentos salariais face à inflação.
As duas estruturas sindicais têm utilizado comunicados conjuntos para demonstrarem as suas posições. Na sequência da greve de 25 de maio passado, que “demonstrou o descontentamento dos trabalhadores”, dizem que “os CTT nada disseram, ignorando as expetativas dos trabalhadores”. Para eles, “o aumento do custo de vida exige aumentos salariais”.
Já antes da primeira das greves tinham manifestado repúdio face à proposta apresentada pela administração “que não foi aceite por nenhum sindicato” de um aumento salarial de 7,50€ para os trabalhadores com salários entre os 705,01€ e os 2.853,17€ que corresponde a 0,25€ por dia. Os dois sindicatos consideraram que com esta proposta “os CTT ofendem os trabalhadores” considerando os 38,4 milhões de lucro da empresa e a inflação e “aumento galopante do custo de vida”.
À TSF, Vítor Narciso, presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Correios, acrescenta outros motivos de revolta: há falta de pelo menos mil trabalhadores na empresa e os CTT não cumprem o contrato de concessão. Denuncia que há postos de correio a funcionar em papelarias, talhos e mesmo numa capelase carteiros contratados a jorna a receber “o valor do trabalho em envelopes com dinheiro, em cafés e em bombas de gasolina”. O mau serviço devido à falta de investimento da empresa gera atrasos graves na entrega de cartas e isso gera não apenas queixas mas também agressividade contra os carteiros.
À Lusa, José Arsénio, secretário-geral do Sindicato Democrático dos Trabalhadores dos Correios, Telecomunicações, Media e Serviços, acrescenta que “a empresa não quer dialogar com os trabalhadores e com os sindicatos” e que o aumento de 7.50 foi feito através de “um ato de gestão” sem negociar com os sindicatos. Critica ainda o não pagamento de horas extraordinárias e defende a revisão dos valores do abono para falhas.
Do lado patronal, a administração dos CTT fala num “diálogo construtivo” e a Associação Nacional de Responsáveis de Distribuição apela aos trabalhadores da empresa que “digam não” à greve porque “não resolve qualquer problema, prejudica os portugueses e é oportunista, uma vez que foi convocada para um dia após o feriado nacional e antes do início de um fim de semana”.