A estrondosa derrota do conservador Grande Partido Nacional, do presidente Lee Myung-bak, nas eleições locais de quarta-feira, tem um único significado: Não!
Era de se esperar que, no momento em que a Coreia do Sul está em conflito com a Coreia do Norte, a sua população se unisse em torno de Lee, seu presidente. Mas não foi isso o que aconteceu.
O GPN perdeu em seis dos dezasseis principais governos e câmaras para o oposicionista Partido Democrático, mantendo-se em apenas seis postos. Partidos menores e candidatos independentes venceram também noutras localidades. O GPN conseguiu manter-se em Seul, mas por uma estreita margem de votos, perdendo na maioria dos distritos autónomos da cidade. Perdeu a eleição para o governo em Gyeongsang do Sul, uma de suas tradicionais bases políticas. Perdeu também na maioria dos locais onde houve eleição.
O veredicto das urnas foi claro: a população diz não à sua política de confronto com a Coreia do Norte e também à politica do seu governo.
A derrota gerou profunda crise no partido do governo, com os principais dirigentes a anunciar a renúncia para assumir a responsabilidade pela derrota. Já anunciaram a renúncia: Chung Mong-joon, presidente e Chung Byung-kook, secretário-geral da organização.
É uma derrota também para as posições americanas, que têm em Lee um grande aliado, assim como para Tóquio, que neste momento se encontra em crise com a renúncia de Hatoyama.
O resultado eleitoral serviu também de termómetro para as eleições parlamentares e presidencial de 2012. Mesmo sob essa estrondosa derrota, com as posições enfraquecidas, Lee, mantém o seu mandato presidencial até 2013.