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Coreia do Norte : um isolamento quase absoluto

O regime de Pyongyang tem novas formas de deteção e escuta de chamadas para o exterior, essenciais para quem quer fugir ou receber dinheiro vindo do estrangeiro.
Na Coreia do Norte, a rede telefónica nacional só permite fazer chamadas internas e a internet fuciona apenas com sites do próprio país. Foto DCM

O regime norte-coreano, liderado por Kim Jong-un tem vindo a apertar o cerco aos cidadãos e assim é cada vez mais perigoso e difícil usar telemóveis para contactar pessoas no exterior o que, em muitos casos, se torna essencial para fugirem do país ou receberem ajuda de familiares ou amigos que se encontram no exílio.

Segundo um relatório publicado recentemente pela Amnistia Internacional (AI), as autoridades adquiriram recentemente mecanismos avançados de deteção, interferência e escuta de chamadas permitindo-lhes assim travar e punir a troca de informação com o exterior.

Controle mais apertado

Há décadas que o regime tenta isolar os norte-coreanos de fontes externas de informação que possam afectar a máquina de propaganda do Estado.

Assim, todos os meios de comunicação internos são fortemente vigiados, rádio e canais de televisão estrangeiros são proibidos ou acessíveis apenas a estrangeiros e a altas figuras do Exército e governo com objetivo de isolar o país e impedir qualquer comunicação com o exterior.

rádio e canais de televisão estrangeiros são proibidos ou acessíveis apenas a estrangeiros e altas figuras do Exército e governo

Kim Jong-un chegou mesmo a anunciar publicamente em 2014 que o isolamento era prioritário “para reduzir a cinzas a infiltração da ideologia e cultura imperialistas e erguer redes duplas e triplas para travar o vírus da ideologia capitalista”.

Desta forma, aumentou consideravelmente o controle na fronteira, o que fez baixar a entrada no país de antenas para receber canais estrangeiros ou leitores de DVD afetando, desta forma, as comunicações com telemóveis estrangeiros.

Esta continua a ser praticamente a única forma de contactar com o exterior, uma vez que a rede telefónica nacional só permite fazer chamadas internas e a internet funciona apenas com sites do próprio país.

“Os traficantes trazem cartões SIM, que vendem por 100 yuan (ou 16 dólares), dependendo do seu crédito”, disse Bak-moon, um dos 17 norte-coreanos recém-exilados contactados pela Amnistia Internacional. Estes exilados usaram todos telemóveis estrangeiros antes de fugirem.

Bak-moon afirmou ainda que para fugir do país“ foi necessário arranjar uma soma equivalente a dez salários oficiais, o suficiente para alimentar uma pessoa por um mês.”

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