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COP25: Movimentos temem “desastre completo”

Esta sexta-feira, vários ambientalistas, empresas e sindicatos afirmaram que a COP25, em Madrid, pode culminar num “desastre completo”, estando alguns países, como o Brasil, a tentar “arruinar” o acordo de Paris sobre combate ao aquecimento global.
Fotografia: EPA/ZIPI, Lusa
Fotografia: EPA/ZIPI, Lusa

Jennifer Morgan, diretora executiva da Greenpeace, afirmou numa conferência de imprensa que “há países, como a Austrália, o Brasil e a Arábia Saudita, que só querem completar as suas agendas e arruinar o acordo de Paris, carregando-o com tantos subterfúgios que não conseguirá ser eficaz”. As declarações surgiram à margem da COP25, cimeira do clima da ONU, a decorrer em Madrid.

No entender da diretora executiva da organização ambiental, a versão mais recente de um rascunho de resolução final é “inaceitável”, já que admite retirar o apelo aos países para “aumentarem o nível de ambição em 2020 em resposta à emergência climática”.

“Este texto é completamente inaceitável. Há também um novo texto sobre perdas e danos em que é claro que a parte financeira ainda não está resolvida. Há também duas opções sobre adaptação e ainda não há nada sobre a regulação dos mercados de licenças de emissão de gases com efeito de estufa”, afirmou Morgan.

Assim, no seu entender, só final da COP se entenderá se esta conseguirá “dar resposta à ciência e às pessoas que pedem justiça climática” ou se “vai deixar os poluidores dominá-la”, o que seria “um desastre completo”.

Nigel Topping, que representa a coligação de empresas pelo clima We Mean Business, afirmou que há empresas que começam a ficar “frustradas” por estarem “mais à frente do que os decisores políticos”.

Pela Confederação Sindical Internacional, Alison Tate afirmou querer “um acordo que funcione para os trabalhadores, que não seja uma versão diluída de um acordo que já tem quatro anos”. “Precisamos de que o Acordo de Paris seja cumprido e 2020 seja muito mais ambicioso”, afirmou.

A COP25 tem sido pautada por algumas polémicas. Ainda esta semana, ativistas protestaram à porta da COP25, exigindo justiça climática, após a denúncia da presença do lóbi dos combustíveis fósseis nas negociações da cimeira, e como resposta ao assassinato de dois líderes indígenas brasileiros.

Esta quarta-feira, Greta Thunberg criticou a cimeira do clima da ONU, acusando os países de procurarem subterfúgios de forma a poderem continuar a poluir, e defendeu que fossem feitos “cortes reais e drásticos nas fontes de emissão” de dióxido de carbono. A ativista sueca acusou ainda os líderes mundiais de não reconhecerem que o mundo está perante uma emergência climática e afirmou que procuram “medidas inteligentes para evitarem ações reais”. No seu entender, estabelecer metas de neutralidade carbónica para 2050 “não é liderar, é enganar”, enquanto não forem incluídas as emissões de gases com efeito de estufa provenientes da aviação, do tráfego marítimo e do comércio externo. 

Esta sexta-feira, a COP25 entrou no seu último dia. Espera-se que as negociações levem em resoluções finais discutidas, votadas e aprovadas em plenário.

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