Mais de uma centena de pessoas assistiram no final de tarde de quarta-feira à conversa no âmbito do projeto de intervenção “Os Mantras do Coliseu”, organizado mensalmente pelo Coliseu do Porto. No Salão Jardim do Coliseu falou-se da guerra ao Irão, da ascensão dos populismos, do papel de Portugal e da Europa e do ativismo.
A ex-eurodeputada bloquista Alda Sousa referiu o telefonema de agradecimento de Marco Rubio a Paulo Rangel e considerou “mais uma tragédia que o governo português esteja a apoiar esta guerra feita à margem do direito internacional”, defendendo que a tarefa mais urgente é exigir ao Governo que pare o apoio à guerra e não ceda a base das Lajes para esse efeito.
O comentador e colunista Pedro Marques Lopes apontou a perda do “sentido de comunidade internacional e de empatia em relação aos outros” como a origem de um problema de que “Trump e Putin são a consequência”, num tempo em que “nunca foi tão forte a capacidade de condicionar os protestos” graças à concentração de poder dos donos das tecnológicas. “O grande propulsor da guerra é Netanyahu e o estado de Israel”, afirmou Pedro Marques Lopes, atribuindo-lhes a vontade de destruir o Irão para serem “o único poder viável” na região.
A ex-ministra e comissária europeia Elisa Ferreira começou por defender que “faz diferença as pessoas movimentarem-se e terem opinião” e organizarem iniciativas para refletir sobre o que se está a passar. Falou da “ilusão de paz” em que o mundo viveu e de como os sistemas de regulação internacional deixaram de ser eficazes à medida que as dinâmicas da globalização e da tecnologia geraram “poderes que parece que ninguém os pode controlar” e do avanço do populismo que capta apoios no descontentamento social sem lhes dar resposta quando alcança o poder.
O teólogo e sacerdote Jorge Teixeira da Cunha sublinhou a sua convicção de que a resposta mais eficaz à guerra está no movimento de objetores de consciência. ”A única maneira de nos livrarmos da guerra é levar as pessoas a não se inscreverem nas forças armadas agressivas”, defendeu, acrescentando que “a Igreja tem de preparar as pessoas para o método da não-violência ativa”. e que “é preciso muito mais coragem para isto do que para se inscrever no exército”.
O designer e artista urbano Miguel Januário começou por lembrar que “temos a ilusão de que o que estamos a viver é novo, mas não é”. E que basta olhar para “a sucessão de incumprimentos da carta da ONU” das últimas décadas, muitas delas promovidas pelos EUA com a participação direta ou indireta da União Europeia. O mais importante, acrescentou, “é desmontar as narrativas” repetidas por uma “comunicação controlada” e das quais muitas vezes o ativismo também pode ser vítima, replicando a narrativa que serve o que quer combater.