Irão

Conversa no Coliseu do Porto juntou vozes contra a guerra

02 de abril 2026 - 13:01

Moderado pelo jornalista Amílcar Correia, o debate de quarta-feira reuniu Alda Sousa, Elisa Ferreira, Jorge Teixeira da Cunha, Miguel Januário e Pedro Marques Lopes.

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Conversa no Salão Jardim do Coliseu do Porto
Conversa no Salão Jardim do Coliseu do Porto. Foto de Helga Calçada

Mais de uma centena de pessoas assistiram no final de tarde de quarta-feira à conversa no âmbito do projeto de intervenção “Os Mantras do Coliseu”, organizado mensalmente pelo Coliseu do Porto. No Salão Jardim do Coliseu falou-se da guerra ao Irão, da ascensão dos populismos, do papel de Portugal e da Europa e do ativismo.

A ex-eurodeputada bloquista Alda Sousa referiu o telefonema de agradecimento de Marco Rubio a Paulo Rangel e considerou “mais uma tragédia que o governo português esteja a apoiar esta guerra feita à margem do direito internacional”, defendendo que a tarefa mais urgente é exigir ao Governo que pare o apoio à guerra e não ceda a base das Lajes para esse efeito.

O comentador e colunista Pedro Marques Lopes apontou a perda do “sentido de comunidade internacional e de empatia em relação aos outros” como a origem de um problema de que “Trump e Putin são a consequência”, num tempo em que “nunca foi tão forte a capacidade de condicionar os protestos” graças à concentração de poder dos donos das tecnológicas. “O grande propulsor da guerra é Netanyahu e o estado de Israel”, afirmou Pedro Marques Lopes, atribuindo-lhes a vontade de destruir o Irão para serem “o único poder viável” na região.

A ex-ministra e comissária europeia Elisa Ferreira começou por defender que “faz diferença as pessoas movimentarem-se e terem opinião” e organizarem iniciativas para refletir sobre o que se está a passar. Falou da “ilusão de paz” em que o mundo viveu e de como os sistemas de regulação internacional deixaram de ser eficazes à medida que as dinâmicas da globalização e da tecnologia geraram “poderes que parece que ninguém os pode controlar” e do avanço do populismo que capta apoios no descontentamento social sem lhes dar resposta quando alcança o poder.

O teólogo e sacerdote Jorge Teixeira da Cunha sublinhou a sua convicção de que a resposta mais eficaz à guerra está no movimento de objetores de consciência. ”A única maneira de nos livrarmos da guerra é levar as pessoas a não se inscreverem nas forças armadas agressivas”, defendeu, acrescentando que “a Igreja tem de preparar as pessoas para o método da não-violência ativa”. e que “é preciso muito mais coragem para isto do que para se inscrever no exército”.

O designer e artista urbano Miguel Januário começou por lembrar que “temos a ilusão de que o que estamos a viver é novo, mas não é”. E que basta olhar para “a sucessão de incumprimentos da carta da ONU” das últimas décadas, muitas delas promovidas pelos EUA com a participação direta ou indireta da União Europeia. O mais importante, acrescentou, “é desmontar as narrativas” repetidas por uma “comunicação controlada” e das quais muitas vezes o ativismo também pode ser vítima, replicando a narrativa que serve o que quer combater.