A dimensão do défice acumulado do Serviço Nacional de Saúde, que já ronda os 2500 milhões de euros, tem sido utilizada como argumento pelo Partido Social Democrata para atestar a insustentabilidade financeira do SNS e a necessidade da sua privatização.
O Bloco de esquerda contraria estes argumentos.
Durante a sessão plenária de quarta-feira, o deputado do Bloco de Esquerda João Semedo enumerou aquelas que considera serem as origens do défice na saúde. Antes de mais existe, de facto, um problema de sub financiamento do SNS. Para o ano, o corte será de 15%, mas o certo é que as reduções já têm vindo a ser aplicadas nos 3 últimos orçamentos do Partido Socialista. Para o deputado do Bloco as consequências são claras: “Se o orçamento não chega, o resultado é inevitável: aumenta o défice, cresce a dívida e reduzem-se os cuidados e a assistência prestada”.
Por outro lado, João Semedo denuncia uma prática de desperdício dos dinheiros públicos. O desperdício com as Parcerias-Público-Privadas, para onde foram canalizados mais de 250 milhões, o desperdício na contratação de empresas privadas para substituir médicos que foram afastados devido às reformas deste governo, o desperdício no desaproveitamento dos meios e capacidades instaladas no SNS, substituídos pela contratação de serviços aos privados ou pelas transferências via ADSE, o desperdício na incapacidade de mudar o regime e a gestão dos hospitais, cuja empresarialização é um fracasso, o desperdício na política do medicamento, refém de compromissos e cumplicidades que puseram os hospitais nas mãos das grandes farmacêuticas e impedem uma maior venda de genéricos, o desperdício em obras que não se iniciam e se atrasam.
Para o deputado bloquista, “o SNS é sustentável. O que não é sustentável é manter esta política de sub-financiamento e desperdício” e é necessário investir na “expansão, modernização e humanização do SNS”.