Consumo em queda arrasta economia para recessão de 3%

10 de julho 2012 - 16:58

A forte contração do consumo privado está a arrastar a economia nacional para uma recessão de 3 por cento este ano. As exportações, um dos poucos indicadores positivos da economia, estão em desaceleração acentuada e assim deverão continuar até 2013.

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O Banco de Portugal prevê uma "uma forte contração da atividade económica em 2012”, consequência direta de uma queda a pique da procura interna. As previsões do Banco de Portugal apontam agora para uma recessão de 3 por cento este ano, um cenário menos pessimista que os 3,4 por cento que chegou a antecipar. O declínio da economia este ano, mesmo assim, será muito pior que o registado em 2011 (queda de 1,6 por cento do produto).



“Continua a projetar-se uma forte contração da atividade económica em 2012, seguida de uma gradual recuperação ao longo de 2013, embora insuficiente para assegurar um crescimento do produto em termos médios anuais”, pode ler-se no boletim económico hoje divulgado pelo Banco de Portugal.

Embora reconheça que as exportações constituem atualmente o elemento mais dinâmico da economia, com um crescimento de 3,5 por cento em 2012 (cresceram 7,6 por cento o ano passado), o Banco de Portugal adverte para a desaceleração das vendas ao estrangeiro face ao abrandamento da economia mundial.



“As exportações deverão continuar a ser a componente mais dinâmica da procura global, embora se projete uma desaceleração significativa em 2012, decorrente da evolução da procura externa dirigida às empresas portuguesas”, indica o Banco de Portugal numa nota enviada à imprensa.

O banco central português indica que as novas estimativas não levam em linha de conta a decisão do Tribunal Constitucional sobre a retenção dos subsídios de férias e de natal dos funcionários públicos e dos pensionistas.

Procura interna em queda acentuada

As estimativas do Banco de Portugal indicam que o consumo privado deverá recuar 5,6 por cento este ano e 1,3 por cento em 2013. O investimento não vai por melhor caminho e tem uma queda de dois dígitos em 2012 e prosseguirá a trajetória descendente no próximo ano, recuando 2,6 por cento.

“Projecta-se uma redução muito acentuada do consumo privado, refletindo a evolução desfavorável do rendimento disponível, num contexto de deterioração das condições no mercado de trabalho e de implementação de medidas de consolidação orçamental”, considera o Banco de Portugal. “As decisões de consumo das famílias deverão ser também condicionadas pelas restrições orçamentais (...)”, “num quadro de deterioração das expectativas dos agentes económicos quanto à evolução do rendimento permanente, assim como pela restritividade das condições de financiamento”, acrescenta o Banco de Portugal.

Em resultado da forte contração da procura interna e do declínio acentuado do investimento, Portugal deverá apresentar um excedente comercial (0,4 por cento do PIB) em 2012. É a primeira vez, nos últimos anos, que a economia nacional apresenta um excedente comercial, uma tendência que deverá sair reforçada em 2013 (com um saldo positivo de 2,5 por cento).