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Consumidores europeus denunciam “truques” da Google para seguir as pessoas

As práticas de seguimento da localização geográfica dos utilizadores da Google contrariam as leis de proteção de dados, diz a Organização Europeia de Consumidores.
Foto Shawn Collins/Flickr

Na sequência de uma investigação de uma organização de defesa do consumidor na Noruega, a Organização Europeia de Consumidores (BEUC) decidiu apresentar queixas contra a Google por recolher informação sobre a localização geográfica dos utilizadores sem o seu consentimento expresso.

A BEUC considera que a informação sobre a localização "pode revelar muito sobre as pessoas, incluindo as suas crenças religiosas (ir a locais de culto), preferência política (ir a manifestações), condição de saúde (visitas regulares a hospitais) ou orientação sexual (frequentar certos bares)”.

"A empresa utiliza vários truques e práticas para assegurar-se que os utilizadores têm estas funções habilitadas e não lhes dá diretamente informação sobre o que isso efetivamente implica”, afirma a organização.

A empresa norte-americana que domina o mercado dos motores de busca — e cujas aplicações estão muitas vezes instaladas por defeito em telemóveis e computadores — usa o histórico de localização e a atividade online para recolher informação que pode ser usada para publicidade direcionada ou outros fins.

Para a BEUC, estas práticas "não cumprem a lei geral de proteção de dados", devido à ausência de uma base legal válida para processar aqueles dados. A Google também não dá uma “verdadeira escolha” aos utilizadores, que por seu lado "não dão livremente o seu consentimento" a comunicar dados sobre a sua localização.

"A situação é mais que alarmante. Está-se a usar os telefones inteligentes para espiar todos os nossos movimentos. Essa não é a sociedade digital na qual os consumidores europeus querem viver", indicou a diretora-geral da BEUC, Monique Goyens, citada pela agência Efe.

A queixa contra a Google será apresentada junto das autoridades em sete países: Noruega, Holanda, Grécia, República Checa, Eslovénia, Polónia e Suécia. As organizações de consumidores na Dinamarca e Alemanha também estão a desenvolver ações que devem resultar em queixas.

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