"Fui despedido da RTP. A decisão acaba de me ser comunicada pelo Conselho de Administração da Empresa à qual dei o melhor de mim próprio durante quinze anos”, escreve Nuno Santos na rede social, sublinhando que recebeu “a decisão do Dr. Alberto da Ponte sem surpresa”.
“Era para mim claro que tal iria suceder desde que fui ilegalmente suspenso no passado dia 7 de dezembro, acusado de delito de opinião, após a minha audição perante os deputados da Comissão de Ética na Assembleia da República” sobre o visionamento pela PSP de imagens da manifestação de 14 de novembro, esclarece o jornalista, defendendo que está em causa “uma decisão meramente política, concertada minuciosamente pelo descredibilizado CA da RTP com outras entidades, como se provará em sede própria”.
Nuno Santos lembra ainda que “os jornalistas da RTP, através do Conselho de Redação, exprimiram uma posição clara contra o meu silenciamento” assim como a Comissão de Trabalhadores “apontou de forma incisiva a inconsistência do chamado 'processo', desde a fase dita de 'inquérito' até ao processo disciplinar com vista ao despedimento e que a ERC, “numa deliberação tomada por unanimidade, contrariou o chamado 'inquérito' interno exortando a empresa a definir regras em vez de se concentrar obsessiva e caprichosamente no mero ataque ad hominem”.
“Não confundo a RTP com uma gestão temporária e esquecível. Uma empresa com cinquenta e seis anos de história tem, por isso mesmo, condições para sobreviver ao plano de desmantelamento material e moral em curso. É a fase mais difícil que jamais vivemos mas conheço bem a força e a fibra dos profissionais da RTP”, salienta o jornalista.
Na nota publicada, o ex diretor da RTP garante que travará “a partir de hoje uma luta sem quartel, nos tribunais e em outros fóruns, contra este saneamento anunciado e agora oficializado”.
Nuno Santos foi despedido por justa causa pela administração da RTP, sendo acusado de violar os deveres de obediência e lealdade, pelo que sairá da empresa sem direito a indemnização ou compensação financeira.
Na carta em que é comunicada a decisão final do CA da RTP, a que o jornal Público teve acesso, a administração afirma que a atuação do ex diretor de Informação no Parlamento “consubstancia a prática de diversas infrações disciplinares, traduzidas na violação grave e deliberadamente assumida do dever de obediência e do inerente cumprimento das ordens e instruções relativas à execução do trabalho”.
O documento refere que existiu ainda violação “do dever de respeitar e tratar com probidade os seus companheiros de trabalho e superiores hierárquicos e do dever de lealdade” e frisa que Nuno Santos teve um “comportamento ilícito e culposo” de tal forma grave que torna “imediata e praticamente impossível a manutenção da relação de trabalho”.