O crescimento do sistema privado de saúde tem sido feito à custa da degradação do SNS. Como sabemos isto? Com base em que dados? Nesta sessão propomos fundamentar esta observação empírica em 4 capítulos:
-
Como tem crescido o privado na saúde: o aumento dos hospitais privados e do número de camas de internamento, a percentagem de cirurgias que realiza. A parte dos lucros privados que é financiada pelo SNS e pela ADSE. Os privados são, no entanto, uma pequena parte dos cuidados de saúde em Portugal, sendo o SNS hegemónico, apesar de todas as dificuldades. E o SNS é o único a assegurar cuidados emergentes e caros: do AVC aos acidentes graves.
-
Relação do crescimento dos privados com os problemas do SNS. Os cuidados de saúde têm aumentado em Portugal, fruto do aumento das necessidades. Há uma parte desse crescimento que é feita pelos privados, sobretudo consultas de especialidade e cirurgias eletivas. Sabemos que o número de profissionais e utentes é finito, portanto, se aumentam os cuidados nos privados de onde vêm os doentes e os médicos? Todos os dados apontam para dois problemas principais: o pluriemprego dos profissionais (num SNS de salários baixos, procuram segundas e terceiras atividades no privado) e o aumento dos serviços convencionados (faltam profissionais no SNS para fazer frente a listas de cirurgias e MCDT, o SNS contrata o serviço aos privados). Ou seja, o privado cresce à custa dos profissionais e utentes do SNS e dos serviços que o SNS lhe contratualiza.
-
O discurso hegemónico sobre a saúde (e sobretudo a doença). Tem-se instalado a ideia de que "não interessa o prestador, interessa que os utentes tenham acesso". Esta premissa é a evolução natural da ideia da liberdade de escolha, que teve pouco sucesso no espaço público. Vamos procurar desconstruir esta ideia populista, assim como uma série de outras ideias a que vamos chamar as “TINA da saúde” (There Is No Alternative): “A saúde é cada vez mais cara” (a falta de investimento na prevenção, o custo dos medicamentos, o modelo hospitalocêntrico, a cultura do estimulo ao consumo no privado); “O Estado não aguenta” (o papel da União Europeia); “Os privados gerem melhor” (toda a evidência em contrário, assim como o relatório da associação europeia de hospitalização privada)
- Soluções. Voltamos ao investimento em saúde e nos seus profissionais. O papel da regulação e regulamentação do privado (o exemplo das propostas no programa do Bloco). Como quebramos o vício do hospitalocetrismo e o que é que isto tem que ver com as restantes políticas (habitação, emprego, segurança social, ambiente, educação, migrações, igualdade de género).