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Comissão de Investigação: Trump esteve “no centro de uma tentativa de golpe de Estado”

Imagens da violência, provas do envolvimento de grupos de extrema-direita, relatos de polícias feridos, testemunhos do círculo de Trump que refutam a fraude eleitoral, fizeram parte do arsenal trazido pela Comissão de Investigação ao assalto ao Capitólio dos EUA. “A democracia continua em perigo” avisa o seu presidente.
Imagens de Trump projetada na audiência aberta da Comissão de Investigação ao Assalto ao Capitólio. Foto de JIM LO SCALZO/EPA/Lusa.
Imagens de Trump projetada na audiência aberta da Comissão de Investigação ao Assalto ao Capitólio. Foto de JIM LO SCALZO/EPA/Lusa.

Quase um ano depois do início dos seus trabalhos, ouvidas mais de mil testemunhas e analisados 140.000 documentos, a Comissão de Investigação do Congresso dos EUA ao assalto ao Capitólio, composta por sete democratas e dois republicanos, começou a divulgar esta quinta-feira as suas primeiras conclusões num conjunto de audiências públicas. E a principal delas coloca o ex-presidente Donald Trump “no centro de uma tentativa de golpe de Estado”.

Em horário nobre televisivo e acompanhando as suas palavras com uma montagem de imagens sobre o sucedido nesse dia que ilustravam a participação dos grupos de extrema-direita Oath Keepers e Proud Boys, o presidente da Comissão, Bennie Thompson, não poupou nas expressões: “o seis de janeiro foi o ponto culminante de uma tentativa de golpe”, “Donald Trump esteve no centro desta conspiração”, “a violência não foi um acidente” e “a democracia continua em perigo”. A republicana Liz Cheney, muito criticada no seu campo político por participar na Comissão, confirmou as conclusões: “o presidente Trump convocou a multidão, juntou-a e acendeu o rastilho deste ataque”.

Enquanto Thompson diz que o sucedido não foi “nenhuma excursão turística” e a Comissão de Investigação lançava o testemunho de Caroline Edwards, polícia ferida no ataque, que comparava a situação a uma “zona de guerra” e contava que “escorregava no sangue das pessoas”, do lado republicano tentava-se descredibilizar o trabalho da investigação. Kevin McCarthy, líder dos republicanos na Câmara dos Representante” assegura que esta comissão é a “mais política e menos legítima da história dos Estados Unidos”. E o próprio ex-presidente e milionário diz que há uma “caça às bruxas” contra aquilo que foi o “maior movimento da História para tornar a América grande outra vez”.

A investigação já previa obviamente os ataques e antes deles sucederem incluiu nas imagens divulgadas uma contra-ofensiva que mostra como o campo republicano estava dividido. As declarações de vários elementos do círculo de Trump, como o procurador geral William Barr, o porta-voz da campanha Jason Miller e o general Mark Milley, incluindo ainda a sua filha Ivanka, que rejeitam claramente a tese da fraude eleitoral.

Para além disso, Liz Cheney leu um testemunho que garante que Trump, ao ouvir os seus apoiantes cantar “enforquem Mike Pence”, então seu vice-presidente e que era responsável pela certificação da eleição nessa altura no interior do Capitólio, terá respondido: “bem, talvez os nossos apoiantes tenham a ideia certa”.

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