A greve dos maquinistas e revisores paralisou totalmente a circulação dos comboios da CP em todo o país esta quinta-feira. Ana Portela, porta-voz da CP, reconheceu à agência Lusa que apenas circulou uma composição entre as estações de Santa Apolónia (Lisboa) e do Entroncamento minutos depois das zero horas.
Também os presidentes do Sindicato Nacional de Maquinistas, António Medeiros, e do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial e Itinerante, Luís Bravo, afirmaram que a greve fez parar "todos os comboios" de passageiros e de mercadorias.
A próxima paralisação está marcada para domingo.
Os sindicalistas acusam a administração da CP de não respeitar o Acordo de Empresa e de ter aplicado retroativamente cortes salariais sobre trabalho em dias de feriado e descanso, obrigando os trabalhadores a repor parte do recebido entre janeiro e maio.
"Os cortes vão além do razoável. Os trabalhadores têm de pagar para trabalhar, e pagar para trabalhar é escravatura", disse Luís Bravo, que explicou que a hora de trabalho em dia feriado ou de descanso é paga a 1,70 euros, em média 17 euros por dia, o que não assegura os gastos que os trabalhadores têm na deslocação em viatura própria, por não disporem de outro transporte para o seu domicílio.
Já António Medeiros realça que o montante de 2,15 euros que os maquinistas recebem por hora nesses dias não respeita o Acordo de Empresa nem a legislação em vigor para o trabalho em funções públicas.
Segundo Ana Portela, a CP tem estado aberta ao dialogo com os sindicatos para satisfazer as suas pretensões, "mas não pode deixar de cumprir a lei", as orientações impostas em sede de Orçamento do Estado.
A 13 de junho, nova greve deverá ter impacto nos serviços urbanos de Lisboa e nas linhas de Sintra, Cascais e Azambuja, também "com a possível supressão da totalidade dos comboios".
A 24 de junho, serão afetados os serviços urbanos do Porto, onde poderão ser cancelados quase todos os comboios.
Por fim, a 28 de junho, estão previstas perturbações nos serviços urbanos de Lisboa da linha do Sado, podendo não circular comboios.