No dia 28 de janeiro, quando o país contabilizava as primeiras vítimas mortais da depressão Kristin que devastava várias regiões, tanto a ministra da Administração Interna como o seu secretário de Estado mantiveram a agenda oficial, marcando presença na cerimónia de posse do Inspetor da Guarda Nacional Republicana e do comandante do Comando Operacional, noticia o Correio da Manhã.
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A própria GNR, que tinha publicado conteúdos da cerimónia nas redes sociais, apagou-os horas depois, justificando que essa publicação “fazia pouco sentido” no meio do luto e da tragédia. Para o deputado bloquista Fabian Figueiredo, isso “não apaga a suspeição de que houve uma tentativa deliberada de ocultar a presença da tutela numa cerimónia festiva enquanto o país colapsava”.
O Secretário de Estado da Administração Interna presente na cerimónia da GNR em plena tempestade é Paulo Ribeiro, o mesmo que horas depois enviou um email aos militantes do PSD de Setúbal a anunciar a sua recandidatura à distrital do partido. À mesma hora, milhares de operacionais lutavam contra os efeitos da tempestade.
“A ministra da Administração Interna falou em ‘trabalho invisível no gabinete’ para justificar ausência no terreno. Afinal, distribuía espadas com o seu secretário de Estado, em Lisboa. O comando da Proteção Civil estava fora do país. Quem mandava?”, pergunta Fabian Figueiredo nas redes sociais, referindo a ausência naquele dia do responsável máximo da Proteção Civil, que estava em Bruxelas para uma ação de formação naquele dia e depois justificou a ausência alegando que nada fazia prever que a sua presença fosse necessária.
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Na pergunta em que questiona a razão para que a presença na cerimónia não tenha sido cancelada, Fabian Figueiredo defende que “a opção por uma agenda de representação cerimonial, em claro vazio da principal figura do comando técnico”, revela uma “desarticulação entre a gravidade do fenómeno meteorológico e a resposta institucional de topo, que se limitou a uma presença meramente simbólica quando a urgência exigia uma direção estratégica ininterrupta”.
A ministra Maria Lúcia Amaral só visitou as áreas afetadas 48 horas após a tragédia e quando questionada sobre essa ausência respondeu ter “estado a desenvolver “trabalho de informação, reflexão, planeamento e coordenação" em "contexto de invisibilidade" O Bloco quer saber se a participação na cerimónia de entrega de espadas se enquadra nesse trabalho.
A ministra Maria Lúcia Amaral só visitou as áreas afetadas 48 horas após a tragédia e quando questionada sobre essa ausência respondeu ter “estado a desenvolver “trabalho de informação, reflexão, planeamento e coordenação" em "contexto de invisibilidade" O Bloco quer saber se a participação na cerimónia de entrega de espadas se enquadra nesse trabalho e questiona se “estando a ministra e o secretário de Estado Adjunto presentes na referida cerimónia, quem detinha o comando operacional e político da resposta à tempestade Kristin naquelas horas críticas que na Lei Orgânica do Governo competem à tutela da Proteção Civil” e se ambos terão sido dispensados pelo primeiro-ministro das suas funções de coordenação estratégica ou da sua obrigatória permanência - física ou remota - junto do CORGOV (Centro de Operações e Resposta do Governo), de forma a comparecerem naquela cerimónia.