Colonatos israelitas promovem turismo para aprender a "matar terroristas"

19 de junho 2012 - 20:21

Um aldeamento turístico num dos colonatos israelitas na Cisjordânia está a gerar polémica. Convidando os turistas a “matar terroristas”, apresentam um pacote turístico com treino militarizado e tiro a figuras com turbantes árabes. Crianças com 5 anos participam nos exercícios.

PARTILHAR

Um grupo de norte-americanos visita um aldeamento turístico israelita nos territórios palestinianos da Cisjordânia. Roupa leve e preparada para resistir ao calor, chapéus, ténis e uma mochila. Um cenário, aparentemente, normal. Depois agrupam-se e começam a cantar: “matem os terroristas”. É a mais recente polémica em Israel. Turismo sionista promovido pelos colonatos instalados nos territórios ocupados.

Instalado nos colonatos ilegais de Gush Etzion, na Cisjordânia, o campo Calibier 3 tem 10 mil metros quadrados. A sua maior atração são os campos de tiro, onde os alvos são figuras em tamanho real com turbantes árabes, e um pacote turístico bélico. O local é utilizado, no dia-a-dia, para os treinos do exército e polícia de Israel.

“Queremos que os judeus do mundo vejam que aqui existe orgulho judaico, pois os judeus, que foram massacrados há 70 anos, hoje têm um Estado, um Exército e as melhores instalações de treinamento", declarou o proprietário deste complexo “turístico” à BBC.Sharon gat, oficial na reserva, indica que já passaram 5000 mil turistas pelo campo, incluindo centenas de crianças- O campo permite o treino militar a crianças a partir dos cinco anos

Um dos turistas que levou a filha de cinco anos foi Michel Brauun. Viajou de Miami com os seus filhos para lhes “transmitir valores”. A sua filha mais nova, com cinco anos, fez exatamente os mesmos exercícios, disparando com uma arma de fogo.

Em declarações a um dos principais jornais de Israel,o Yedioth Ahronoth, garante que “isto faz parte da sua educação. Para que saibam de onde são e, claro, para obter um pouco de ação”.

"Este é o turismo com valor acrescentado", considera Davidi Perl, um dos responsáveis do colonato. "Uma experiência como esta pode criar o reconhecimento mundial de Gush Etzion como uma pérola do turismo", considera.