Guillermo Botero, Ministro da Defesa da Colômbia, demitiu-se após ter sido acusado de ocultar a morte de oito menores de idade durante uma operação militar no sul do país que tinha como alvo dissidentes das FARC.
A acusação partiu de Roy Barreras, senador do Partido da Unidade Nacional, que afirmou na apresentação de uma moção de censura contra o agora ex ministro que este tinha ocultado uma operação militar durante a qual "crianças foram bombardeadas".
"Estou convencido de que o ministro ocultou informações não apenas dos colombianos, mas do Presidente", declarou o senador Barreras.
Me permito informar que he aceptado la renuncia de @mindefensa @GuillermoBotero. En nombre de los colombianos y equipo de gobierno quiero agradecerle por su compromiso, sacrificio y liderazgo en el sector. Gracias a su gestión logramos excelentes resultados en estos 15 meses.
— Iván Duque (@IvanDuque) November 6, 2019
Em reação às acusações, de acordo com o noticiado pela Lusa, Botero afirmou que se tratavam de "informações especulativas", e as forças armadas colombianas afirmaram desconhecer a presença de menores durante a operação militar.
Porém, no próprio dia o gabinete do procurador-geral confirmou que oito menores morreram na sequência de uma operação militar em San Vicente del Caguan, região do sul da Colômbia controlada por dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
A operação terá decorrido a 30 de agosto e na altura foi confirmada a morte de nove dissidentes das FARC, tendo dias depois o número sido elevado para 14.
Há algum tempo que Guillerme Botero era alvo de críticas devido a vários incidentes na campanha contra os grupos armados dissidentes das FARC.
El ministro Botero le debe una respuesta seria a los colombianos sobre esta denuncia. @FiscaliaCol debe iniciar una investigación para determinar si el ejército lanzó un ataque a pesar de que podía haber previsto que muertes de civiles serían excesivas. https://t.co/2q17ufsUlM
— José Miguel Vivanco (@JMVivancoHRW) November 6, 2019
Em reação à acusação, José Miguel Vivanco, diretor executivo da Human Rights Watch para as Américas, pediu “uma resposta séria aos colombianos” a esta situação.
"A Procuradoria Geral deve iniciar uma investigação para determinar se o Exército realizou um ataque apesar de poder ter previsto que haveria grande número de morte de civis", disse Vivanco no Twitter.
Em reação à situação política na Colômbia, que vive uma crescente onda de violência contra indígenas e líderes sociais, está a ser organizada por centenas de organizações a nível internacional uma mobilização cidadã com o lema “Que viva la Vida para que viva la Paz” em solidariedade com a população do país. Em Lisboa a concentração terá lugar no dia 15 de novembro, pelas 19h, na Praça Luís de Camões.
Entre os objetivos da mobilização consta a exigência do cumprimento dos direitos fundamentais à vida e à paz e o cumprimento estrito da implementação dos acordos de paz no país.