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Colheita mecânica em olivais intensivos chacina aves

A Junta de Andaluzia decidiu proibir este procedimento, que já terá dizimado milhões de aves nesta comunidade. Quercus e Bloco de Esquerda denunciam “relatos de autêntica chacina” de aves no Alentejo devido às campanhas noturnas de recolha de azeitona nos olivais intensivos.
Foto de Nuno Veiga, Lusa.

A Concelhia do Meio Ambiente e Ordenamento do Território (CMAOT), o Serviço de Protecção da Natureza da Guardia Civil e a federação ambientalista Ecologistas em Acção informaram a Junta de Andaluzia sobre relatos que davam conta da mortandade de 17 espécies migratórias de aves, na sua maioria protegidas pela legislação autonómica, nacional e comunitária, devido à colheita mecânica noturna em olivais intensivos.

A veracidade das informações foram confirmadas, a pedido da Junta, pela CMAOT. O relatório sinaliza que existe, de facto, um problema “real, atual, com sérias repercussões ambientais, que transcendem os limites geográficos da Andaluzia e do país, afetando os valores ambientais de vários países da União Europeia”.

No documento é relatado que a mortandade é provocada por sucção “com uma magnitude que é preocupante”, sublinha o documento. Segundo estimativas poderão ser dizimadas “cerca de 2,6 milhões de aves” especialmente nas províncias de Sevilha, Córdoba e Jaén. 

Neste contexto, a Junta de Andaluzia decidiu proibir as campanhas noturnas de recolha de azeitona nos olivais superintensivos, alegando que não respeitam a legislação regional, nacional e comunitária.

Chacina de aves no Alentejo

A Quercus alertou, entretanto, o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR e o Ministério da Agricultura de que estavam a ser difundidas nas redes sociais informações sobre a morte de aves “na extracção mecânica em olivais superintensivos do Baixo Alentejo”.

O deputado bloquista Pedro Soares endereçou, por sua vez, um requerimento ao Governo, através do Ministério do Ambiente e da Transição Energética, no qual refere que “na zona de Ferreira do Alentejo há relatos de residentes locais que referem a existência de uma verdadeira chacina, com sacos de aves a terem de ser retirados das cubas da azeitona colhida durante a noite”.

No documento o dirigente do Bloco de Esquerda questiona se o executivo tem conhecimento dos impactos ambientais e ecológicos, nomeadamente sobre as aves migratórias, da prática de colheita mecanizada noturna nas plantações de olival intensivo e se está na posse de informação sobre a morte de grande quantidade de aves em consequência dessa colheita mecanizada noturna.

Pedro Soares quer também saber se o Governo pondera intervir urgentemente para impedir que se continue a proceder a colheitas mecanizadas noturnas nos olivais intensivos, de modo a evitar a mortandade de aves em grande escala.

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