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Cientistas da Universidade de Aveiro alertam para lixo da pandemia

Investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, que têm estudado o aumento de lixo e o recuo generalizado na gestão sustentável de resíduos de plástico, alertam para a necessidade urgente de encontrar alternativas ao uso de máscaras e luvas descartáveis.
Fotografia de Pedro Gomes Almeida.

Num comunicado de imprensa enviado ao Esquerda.net, a Universidade de Aveiro (UA) divulga três artigos científicos publicados pelos investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) Joana Prata, Ana Luísa Silva, Armando Duarte e Teresa Rocha-Santos e realizados em parceria com a Universidade de Dalhousie (Canadá), o Instituto de Diagnóstico Ambiental e Estudos da Água (Espanha) e a Beijing Normal University (China).

Um dos estudos em questão, de Ana Luísa e Joana Prata, avança com uma série “de recomendações de gestão coletiva, mas também individual, deste novo lixo que ameaça inundar rios e mares”. Já num segundo artigo, os investigadores “alertam para a necessidade de encontrarem alternativas para o uso e gestão final adequados de equipamentos de proteção”. Na terceira publicação, que contou também com a participação de Amadeu Soares e Diana Campos, igualmente do CESAM, “os cientistas abordam os impactos a curto prazo da produção e utilização deste lixo e resumem uma série de recomendações políticas para a sua correta gestão”.

“Contaminação ambiental generalizada”

“Fomos motivados a alertar para este assunto devido à quantidade de material de proteção pessoal descartável que encontramos em espaços públicos. O descarte correto das máscaras e luvas descartáveis foi negligenciado e estes resíduos passaram a ser encontrados nas ruas e passeios”, enfatiza Joana Prata.

Baseando-se em estratégias de saúde pública, as investigadoras calculam que, a nível mundial, “são necessárias mensalmente 129 mil milhões de máscaras e 65 mil milhões de luvas”. E estes números impactantes não incluem as batas descartáveis e outros materiais de proteção, cuja "gestão desadequada tem como resultado uma contaminação ambiental generalizada".

Ana Luísa e Joana Prata defendem que “é urgente encontrar alternativas sustentáveis para as máscaras, luvas e plásticos de utilização única”.

A reciclagem dos materiais após a sua desinfeção ou quarentena, a utilização máscaras feitas com materiais reutilizáveis e o regresso “ao caminho da economia circular que estava a ser traçado para os materiais plásticos antes de surgir a pandemia”, são algumas das recomendações presentes nos três artigos científicos.

As investigadoras referem ainda que, em muitas zonas do mundo se registou uma reversão de leis e regulamentos que visavam a redução do uso de plásticos de utilização única, como é o caso das taxas sobre sacos de plástico finos. “Os próprios consumidores passaram a procurar alimentos embalados em plástico devido à preocupação com a possível transmissão do vírus através de objetos e maior prazo de validade”, apontam.

“Em muitas áreas do mundo a reciclagem dos plásticos parou, noutras as entidades debatiam-se com o tratamento adequado dos crescentes resíduos hospitalares potencialmente infeciosos”, acrescentam.

As cientistas frisam que “não deveríamos descontinuar uma estratégia ambiental a longo-prazo quando é compatível com as atuais medidas de combate à pandemia e contribui para a futura preservação da saúde humana”. E exemplificam: “Não há evidencias que a utilização de luvas descartáveis seja mais eficaz do que a correta higienização das mãos”.

“Situações de emergência, pelos mais variados motivos, irão repetir-se no futuro”, avançam, defendendo que “teremos de delinear estratégias para uma produção e utilização sustentáveis dos materiais plásticos em situação de emergência”.

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