A astrofísica espanhola, que também é porta voz da Investigación Digna, movimento que junta investigadores científicos do país vizinho contra os cortes ao financiamento da Ciência, escreveu na revista Nature um artigo a propósito da nomeação de Carlos Moedas para comissário europeu desta área.
Intitulado “Um apelo para quem se preocupa com a ciência na Europa”, o artigo publicado na passada quarta-feira criticava os cortes orçamentais na Ciência, apontando os exemplos da Itália, Espanha, Grécia e Portugal, país que corre o risco, depois dos cortes de 50% no financiamento das universidades e centros de investigação, de ver encerrar metade das suas unidades de investigação por causa de um processo de avaliação viciado, organizado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia com o apoio da Fundação para a Ciência Europeia. Nessa avaliação era definida à partida uma quota máxima para as classificações acima de “Bom”, o que excluiu de imediato cerca de 50% das unidades de investigação de virem a obter essa classificação.
O blogue de investigadores portugueses De Rerum Natura publica a carta assinada por Jean Claude Worms, responsável da Fundação para a Ciência Europeia, em que a instituição “refuta quaisquer acusações de irregularidades no processo” e considera que a referência à avaliação promovida pela FCT em Portugal é “insultuosa”.
A carta refere-se ainda à ação judicial interposta pelo SNESup contra a FCT, denunciando as irregularidades no processo de avaliação das unidades I&D, e afirma que como ainda não há decisão da justiça portuguesa, a cientista não poderá acusá-los de apoiarem um concurso viciado. “Se a sua acusação não for publicamente retratada na Nature, a Fundação para a Ciência Europeia será obrigada a tomar as medidas legais apropriadas”, ameaça Jean-Claude Worms na conclusão da carta enviada a Amaya Moro-Martin.
Após a divulgação da ameaça da Fundação para a Ciência Europeia à cientista espanhola, o artigo da Nature recebeu muitos comentários de cientistas portugueses e estrangeiros a confirmar as irregularidades do processo de avaliação que são do domínio público, a contestar o ataque à liberdade de opinião dos cientistas e até a pedir que juntem os seus nomes ao eventual processo judicial com que a instituição pretende calar a cientista espanhola.