No seu conjunto, a aliança governamental melhorou muito ligeiramente os seus resultados, graças ao excelente resultado dos verdes (Déi Gréng), que compensaram as perdas de socialistas (LSAP) e liberais (DP). Contudo, no total, perdeu um lugar, ficando apenas um acima da maioria absoluta.
Os social-cristãos (CSV), aos quais pertence o atual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, continuam a ser o maior partido do pequeno país, mas sofreram perdas significativas.
Por seu turno, os nacional-conservadores (ADR), eurocéticos e com reservas face à imigração, registaram uma subida ligeira, que, no entanto, lhe valeu a duplicação do número de mandatos, passando de dois para quatro.
Já a esquerda (Déi Lénk) apenas registou um pequeno avanço, mantendo os dois lugares que já detinha no Parlamento.
Entretanto, os “piratas”, aliados a uma pequena formação liberal-conservadora, alcançaram um excelente resultado, conseguindo obter representação parlamentar.
O Parlamento luxemburguês é composto por 60 membros, eleitos por sufrágio universal, direto e secreto para um mandato de cinco anos, através de um sistema proporcional, em quatro circunscrições eleitorais: Norte, Este, Centro e Sul. Estas elegem, respetivamente, 9,7, 21 e 23 deputados. A alocação dos mandatos é feita pelo método de Hagenbach-Bishoff, que dá resultados muito semelhantes aos da fórmula de Hondt.
Eis os resultados finais, em comparação com os de 2013:
CSV (centro-direita)…………….28,3 (21)…………33,7 (23)
LSAP (centro-esquerda)……….17,6 (10)…………20,3 (13)
DP (centro)………………………16,9 (12)…………18,3 (13)
Déi Gréng (verdes)……………..15,1 ( 9)…………10,1 ( 6)
ADR (direita)……………………. 8,3 ( 4)………… 6,6 ( 2)
PIRATEN (“piratas”)……………. 6,4 ( 2)…………. 2,9
Déi Lénk (esquerda)…………… 5,5 ( 2)…………. 4,9 ( 2)
KPL (comunistas)……………… 1,3 ………….. 1,6
Outros…………………………… 0,6 …………. 1,5*
* Votação do PID (centro-direita), que, agora, concorreu na lista dos PIRATEN
A percentagem de votos brancos e nulos foi de 7,2% (6,9% em 2013).
A participação eleitoral cifrou-se em 89,7%, contra 91,2% há cinco anos. Refira-se que, no Luxemburgo, o voto é obrigatório, exceto para os maiores de 75 anos e os residentes no estrangeiro.
Tudo indica, assim que a atual coligação de centro-esquerda, que substituiu os democrata-cristãos na sequência das eleições de há cinco anos, se mantenha no poder e Xavier Bettel seja indicado pelo grão-duque, o monarca reinante do país, para formar um novo executivo. Se, do ponto de vista económico, não há grandes diferenças entre as principais forças políticas (à exceção da esquerda e dos comunistas), do ponto de vista dos costumes houve alguma evolução num sentido progressista. Não por acaso, o primeiro-ministro ainda em funções é assumidamente “gay” e casou-se com o seu companheiro, após a legalização do casamento LGBT. Outra diferença é o facto de um eventual governo democrata-cristão necessitar do apoio da direita nacional-conservadora, pelo que tenderia a ter uma posição mais dura face aos imigrantes e aos seus direitos. Mas, felizmente, os resultados eleitorais tornaram impossível essa solução.