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Caxemira: Índia aumenta repressão e revoga estatuto especial da região

O governo indiano bloqueou comunicações, colocou opositores em prisão preventiva e enviou mais tropas para Caxemira. Esta segunda-feira, revogou o estatuto especial de autonomia da região alimentando receios nas populações locais de que se prepara uma colonização da região de maioria muçulmana.
Cartaz em Caxemira. 2005.
Cartaz em Caxemira. 2005. Foto de Barry Pousman. Flickr.

O governo nacionalista indiano está a desenvolver uma ofensiva repressiva na região de Caxemira, dividida e disputada com o Paquistão. Os principais líderes da oposição da zona controlada pela Índia foram colocados em prisão preventiva, as escolas foram fechadas, as ligações por telefone e internet foram bloqueadas, aumentou a presença militar em pelo mais dez mil soldados e as forças de segurança controlam os movimentos nas ruas e impedem qualquer concentração de pessoas.

A semana passada, o governo indiano tinha retirado da área milhares de turistas e peregrinos, alegando que existiam ameaças de terrorismo islâmico na região.

Para além desta repressão no terreno, o governo indiano revogou o estatuto especial da região, de maioria muçulmana, que lhe atribuía autonomia. Amit Shah, Ministro do Interior indiano, declarou morto o artigo 370 da Constituição anunciando que “toda a constituição vai ser aplicável em Jammu e no estado de Caxemira”. Assim, todas as disposições deste artigo, pensado para proteger a região da colonização vinda do resto do país, caem por terra. Caxemira tinha, por exemplo, empregos no setor público e colocações nas universidades locais reservados para os seus habitantes e estava em vigor uma moratória à compra de propriedades de pessoas de fora destas regiões.

O governo também avançou que irá dividir o território em dois. Segundo este projeto, a zona de Ladakh ficaria controlada diretamente pelo governo central, sem direito sequer a um governo local.

O secretário geral do Partido Bharatiya Janata (BJP), Ram Madhav, partido nacionalista hindu no poder, saudou a decisão do fim da autonomia como “um dia glorioso” e anunciou celebrações um pouco por todo o país.

Os nacionalistas indianos há muito que pretendiam acabar com o estatuto especial de Caxemira, uma região de maioria muçulmana que tem assistido a confrontos frequentes ao longo das últimas décadas. As tensões entre Índia e Paquistão estiveram ao rubro em fevereiro passado com atentados separatistas, aviões abatidos de ambos os lados e um ataque indiano ao lado paquistanês, alegadamente para destruir um campo militar rebelde, o que o estado vizinho negou.

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