Em entrevista à Bloomberg, o presidente da República Portuguesa afirmou-se comprometido com os memorandos de entendimento firmados com a troika mas realçou que as obrigações impostas à banca, no que diz respeito à sua recapitalização, são demasiado rigorosas.
Nesse sentido, Cavaco Silva defende que os bancos portugueses devem ter um prazo mais prolongado para reforçar os níveis de capital Core Tier 1para 9%.
“A desalavancagem é muito forte e muito rápida. Seria razoável que fosse mais gradual e esperamos que a troika venha a percebê-lo”, avançou o presidente da República.
Cavaco Silva voltou, contudo, a reforçar o seu compromisso com as metas definidas com o Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia.
BCE tem de ter “uma intervenção previsível e ilimitada”
Para Cavaco, o Banco Central Europeu (BCE) "tem de ser capaz de ser o credor de último recurso", de forma a parar com a especulação no mercado de dívida. “O BCE tem de ir além de uma estreita interpretação da sua missão”, realçou Cavaco Silva.
O chefe de Estado advoga que a compra de obrigações pelo BCE no mercado secundário “iria parar a especulação, iria retirar as dúvidas sobre o valor futuro das obrigações italianas, espanholas ou portuguesas”.