Catarina não será candidata a coordenadora do Bloco na próxima Convenção

14 de fevereiro 2023 - 11:00

Catarina Martins explica que a renovação que deseja promover “multiplicará a sua energia” e é clara sobre onde estará depois da Convenção: “eu sou daqui, estou aqui e aqui darei ao povo do Bloco todo o meu vigor e persistência, como sempre fiz”.

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Foto Manuel de Almeida/Lusa

Catarina Martins comunicou aos e às ativistas do Bloco de Esquerda que não será candidata a
coordenadora do partido na próxima Convenção, em maio deste ano. Em declarações posteriores aos jornalistas, explicou que o fez quando se inicia o processo preparatório dessa reunião, “por lealdade para com toda a gente que participa na reunião magna do Bloco e para que as várias moções, e as listas que delas decorrem, o saibam desde já e apresentem as suas propostas com toda a informação que devem conhecer”.

A atual coordenadora do Bloco acrescentou que o fez também “porque num partido que tem uma influência social tão alargada como o Bloco, com milhares de ativistas, centenas de milhares de eleitores e de pessoas atentas e exigentes sobre as alternativas na esquerda, devo clareza a todas as pessoas que connosco se encontram”.

Catarina lembrou os dez anos em que esteve à frente da coordenação do Bloco, evocando a “grandeza” de João Semedo, com quem chegou a partilhar essas funções, e as vitórias e derrotas desse percurso.

“Essas vitórias e derrotas são parte importante do nosso combate, mas o que tem de nos
guiar é a coerência e a dedicação que fazem a nossa vida e o nosso compromisso com o
povo”, vincou.

Destacando que “a geringonça foi o princípio do respeito”, e que foi “um tempo extraordinário em que o país melhorou”, Catarina lamentou que a maioria absoluta, entretanto, tenha vindo a “mostrar que o PS nunca se conformou com este caminho e agora procura reverter algumas das medidas da geringonça, para não falar da grande reversão nos rendimentos de quem trabalha ou trabalhou a vida inteira”.

“No país, não há quem não veja agora como a maioria absoluta tem servido um sistema de apadrinhamento, de favores e de autoritarismo contra a escola, contra o SNS e contra uma política social de habitação. Estão à vista os motivos para a viragem à direita que António Costa impôs ao país”, apontou.

De acordo com a dirigente bloquista, “é no confronto de hoje que também melhor se sente o que é o Bloco”. E clarificou: “o Bloco é a luta por tudo o que está por conseguir, o que ainda não conseguimos fazer para assegurar uma carreira para a educação, um sistema de exclusividade que engrandeça os hospitais e centros de saúde, o fim de discriminações que magoam, uma vida digna para pensionistas, uma habitação que não seja a especulação cruel que destrói as nossas cidades, um planeta que não esteja doente e onde seja possível viver”.

Sobre o que agora mudou, Catarina foi perentória: “é a instabilidade da maioria absoluta”. “Como é evidente, essa crise larvar, multiplicada dentro do Governo e em choque com a luta popular, é o sinal do fim de um ciclo político”, assinalou.

O que fez Catarina “decidir neste momento foi pensar que é agora que o Bloco deve começar a preparação da mudança política que já aí está”.

“Neste tempo novo estarão os velhos fantasmas, os ódios racistas que agora são o retrato de uma política mesquinha, tal como estarão os poderes de sempre, a oligarquia que se alimenta da especulação financeira e urbanística, e como estará também a certeza de que é preciso virar à esquerda”, afirmou.

Neste contexto, “o Bloco deve juntar a sua máxima capacidade de transformação”, e Catarina acredita que “esta renovação”, que deseja promover, “multiplicará a sua energia”.

“Finalmente, respondo também sobre o que farei depois da próxima Convenção. Garanto que não andarei por aí: eu sou daqui, estou aqui e aqui darei ao povo do Bloco todo o meu vigor e persistência, como sempre fiz. Em tudo o que for preciso, quando é preciso, na luta”, rematou.