A tarde de quarta-feira da campanha de Catarina Martins foi dedicada ao ambiente, em concreto para chamar a atenção para a necessidade de proteger a costa portuguesa face ao avanço do mar e o agravamento futuro do problema com as alterações climáticas. “Não se pode empurrar o problema com a barriga, temos de proteger o nosso território”, defendeu a candidata na Praia da Cova Gala, um local onde “há um problema grave com a linha da costa que põe em causa a segurança das populações e dos pescadores”.
Desde o prolongamento do molhe do porto da Figueira da Foz em 2010, essa estrutura passou a ser uma barreira à passagem dos sedimentos transportados no litoral português de norte para sul. O resultado para as praias a sul, como a do Cabedelo, da Cova-Gala ou da Leirosa, foi o de serem devoradas pelo mar todos os anos, enquanto os naufrágios à entrada da barra, antes raros, passaram a ser recorrentes. Ao fim de anos de luta da SOS Cabedelo, o último Orçamento do Estado aprovou finalmente a verba para construir um “bypass” que irá aspirar a areia retida junto ao molhe e transportá-la por um tubo subterrâneo para as praias do sul.
“Os governos investem em colocar areia nas praias, mas depois o mar leva-a logo. Aqui na Figueira da Foz, 21 milhões de euros de areia posta aqui, o mar levou em três meses”, recordou Catarina, contrapondo que ativistas como a SOS Cabedelo, mas também cientistas e investigadores das universidades portuguesas têm proposto soluções para proteger a linha da costa. “O que é preciso é uma política consistente do ponto da vista ambiental”, defendeu a candidata, cabendo à Presidente da República lançar o debate e “ouvir a sociedade civil e quem trabalha por uma comunidade melhor”.
“Há populações que se juntam para lutar pela qualidade ambiental no nosso país e têm de ser ouvidas porque na verdade estão a proteger-nos a todos”, prosseguiu Catarina, que na noite de quarta-feira terá um encontro com várias associações ambientais na Figueira da Foz.
Casos fatais na Saúde: “Começa a ser difícil acreditar que seja só incompetência”
Questionada pelos jornalistas sobre o caso de mais uma morte por atraso no socorro do INEM, Catarina voltou a criticar a postura de um governo que “corta primeiro e pensa depois”.
“As notícias da incompetência do Governo já são tantas na área da Saúde que começa a ser difícil acreditar que seja só incompetência. Haverá algum propósito da destruição do SNS, do acesso a um serviço que seja público, universal e para toda a população? Podemos nós acreditar que o Governo é assim tão incompetente?”. questionou a candidata.