Catalunha: justiça espanhola investiga CUP por ter feito campanha no referendo

24 de agosto 2020 - 21:35

A perseguição judicial aos participantes no referendo de 1 de outubro de 2017 continua: agora é o partido da esquerda radical catalã a ser acusado de gastar verbas do seu Grupo Parlamentar em materiais de campanha.

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Manifestação pós referendo de 1 de outubro
Foto de Raphael Tsavkko Garcia | Flickr

O Ministério Público Anticorrupção espanhol está a investigar a CUP - Candidatura da Unidade Popular, um partido de esquerda e independentista da Catalunha - por alegadamente ter utilizado 168.666,63 euros do orçamento do Grupo Parlamentar para a publicação e apresentação do livro “Referendo 2017: a chave que abre a fechadura” e o vídeo “Começa agora o Mambo”.

Em comunicado, a CUP informa que o Ministério Público Anticorrupção “convocou hoje para declarar como investigado um membro do Secretariado Nacional à época. Este membro, cujo nome a organização não quer divulgar, testemunhou perante o Ministério Público da Cidade da Justiça”.

A porta voz do grupo de apoio, ex-membro do Secretariado Nacional e vice-presidente da Câmara Municipal de Sant Cugat del Vallès, Núria Gibert, diz que “é claro que estamos perante um novo exemplo de judicialismo estatal espanhol para criminalizar a independência e perseguir a vontade política de um povo”. A CUP frisa que “faria tudo de novo”.

Apesar do seu carácter não vinculativo e da oposição do governo espanhol, o referendo de 1 de outubro de 2017 à independência catalã atraiu às urnas cerca de 2.3 milhões de eleitores. Alguns locais de votação foram alvo de violenta repressão policial, apesar da resposta pacífica dos ativistas. A resposta de Madrid passou pela criminalização dos líderes políticos do governo catalão e do movimento social pró-independência, que foram presos, julgados e condenados a longas penas de prisão.