Caso Abramovitch: Rabino do Porto fica com termo de identidade e residência

13 de março 2022 - 11:01

A detenção do rabino do Porto, nesta sexta-feira, está relacionada com a investigação à atribuição da nacionalidade portuguesa ao oligarca russo Roman Abramovich. Estão em causa, nomeadamente, os crimes de tráfico de influências, corrupção ativa e branqueamento de capitais.

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Oligarca russo Roman Abramovich - Foto wikipedia
Oligarca russo Roman Abramovich - Foto wikipedia

Fonte da comunidade judaica disse à Lusa que Daniel Litvak, rabino do Porto, foi interrogado “durante duas horas” e foram-lhe aplicadas a medida de coação de Termo de Identidade e Residência (TIR) e a entrega de passaporte.

O rabino do Porto foi detido pela Polícia Judiciária (PJ), nesta sexta-feira, por possíveis ilegalidades na emissão de certificados de nacionalidade para judeus sefarditas, num momento em que o Ministério Público está a investigar a atribuição da nacionalidade portuguesa ao oligarca russo Roman Abramovich, também dono do Chelsea. A detenção ocorreu quando o rabino se preparava para viajar para Israel.

A Lusa refere também que, sobre a certificação da nacionalidade portuguesa a Roman Abramovich, a comunidade judaica do Porto acrescenta numa comunicação escrita que o certificado data de “16 de julho” e salienta que aquela comunidade “só teve conhecimento a 10 de agosto, como evidencia documentação que foi entregue às autoridades".

A mesma fonte esclareceu que “todos os processos de certificação são feitos pelo rabinato (líderes religiosos), e a direção da comunidade [judaica do Porto] não tem intervenção”.

A 19 de janeiro, a Procuradoria-Geral da República em Portugal confirmou que a concessão da nacionalidade portuguesa a Roman Abramovich, ao abrigo da Lei da Nacionalidade para os judeus sefarditas, estava a ser alvo duma investigação do MP.

Nesta sexta-feira, em nota conjunta do Ministério Público e da PJ foi avançado que na investigação que levou à detenção de Daniel Litvak em causa os crimes de tráfico de influências, corrupção ativa, falsificação de documento, branqueamento de capitais, fraude fiscal qualificada e associação criminosa.