No passado dia 2 de Junho, os trabalhadores precários da Casa da Música fizeram uma vigília em frente à instituição. Meia hora depois do protesto ter terminado, oito assistentes de sala que estiveram presentes receberam um e-mail do seu superior hierárquico a comunicar-lhes que estavam dispensados de trabalho que tinha sido já agendado para junho.
Quatro dias depois, a administração da Casa da Música recuou e enviou um e-mail aos mesmos trabalhadores perguntando se estes estariam “disponíveis para as mesmas datas”, diz Hugo Veludo, um dos trabalhadores dispensados, ao Observador.
O coletivo de trabalhadores despedidos pediu no passado sábado uma reunião presencial com a direcção da Casa da Música para exigir “esclarecimentos relativos à dispensa de atividades desde março ou o silêncio sobre o abaixo assinado entregue em meados de abril”.
Ao jornal Observador, o superior hierárquico do grupo de assistentes de sala adianta que essa reunião está convocada para a próxima segunda-feira, dia 15 de Junho, pelas 15 horas. No entanto, Hugo Veludo diz ainda não saber “exactamente” com quem vai reunir.
“É preciso readmitir todos os trabalhadores e celebrar finalmente os contratos que a lei exige”.
Em declarações ao esquerda.net, o deputado bloquista José Soeiro sublinha que “a pressão pública dos trabalhadores e da cidade, bem como a pressão política sobre o Governo e a Câmara que nomeiam administradores, resultou neste aparente recuo da direção da Casa da Música”. No entanto, é preciso aguardar “para ver o que sai da reunião de dia 15”.
O deputado bloquista tinha entregue com carácter de urgência um requerimento para um pedido de audição da administração da Casa da Música, da Autoridade para as Condições de Trabalho e dos representantes dos trabalhadores na Comissão Parlamentar do Trabalho e da Segurança Social. Soeiro afirma que, “perante a indignação generalizada com o seu comportamento repugnante, a administração procura agora, na véspera das audições no Parlamento sobre a Casa da Música (que começam dia 17), emendar a mão”.
“É preciso readmitir todos os trabalhadores e celebrar finalmente os contratos que a lei exige e que a Casa da Música nega há 15 anos a estas pessoas. Oxalá esta reunião de dia 15 seja o primeiro passo para fazê-lo. Será a prova de que esta luta valeu a pena e será um exemplo histórico para todo o país e para todo o setor cultural”, conclui o deputado.