O coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, disse este sábado que "a existência de uma tolerância de ponto, de um dia em que não se trabalha no Carnaval, é um direito das pessoas, não é um baile, é um dia em que não são obrigadas a trabalhar de graça pela força do governo".
Para Louçã, a decisão anunciada por Passos Coelho de não dar tolerância de ponto aos funcionários públicos na terça-feira de Carnaval não reflete qualquer preocupação de melhorar a economia do país. “O Governo está a piorar todos os dias a economia do país", argumentou, afirmando que “o problema da economia chama-se ´troika´, chama-se governo, chama-se PSD e CDS, chama-se destruição económica, chama-se obrigar as pessoas a viverem pior, multiplicar a miséria".
PCP e PS criticaram igualmente a decisão, assim como algumas figuras do PSD, como o ex-presidente da câmara de Cascais e ex-conselheiro de Estado António Capucho.
Consequências muito negativas
O presidente da câmara de Loulé, Seruca Emídio, do PSD, considerou “muito negativa” a decisão, defendendo flexibilidade para os locais onde as festividades têm maior tradição.
“A decisão do governo vai trazer consequências muito negativas para os concelhos onde o Carnaval tem maior tradição e onde as organizações investem quantias significativas”, disse à Lusa.
Já o presidente da Fundação do Carnaval de Ovar disse que Passos Coelho revelou desconhecer a realidade do país e ser "um mau gestor que há-de ser responsabilizado" por isso. José Américo Sá Pinto afirmou: "Com esta postura, Passos Coelho revela que desconhece a realidade do país, em particular de dezenas de municípios - talvez já centenas - que fazem do Carnaval um evento que gera riqueza a nível nacional".
Críticas também da área sindical: a sindicalista Ana Avoila, da Frente Comum, prometeu uma "resposta adequada" dos trabalhadores à decisão do Executivo."Este governo pensa que é imune a tudo, que pode calcar e fazer tudo o que quiser com a administração pública, e não é assim. Os trabalhadores saberão dar uma resposta adequada. Este fim de semana vamos tomar posições".
A sindicalista recordou que "o professor Cavaco Silva também fez isso [não dar tolerância de ponto no Carnaval] quando era primeiro-ministro e deu o resultado que deu".