Carnaval: Tolerância de ponto é um direito, não é um baile

05 de fevereiro 2012 - 1:47

Coordenador do Bloco de Esquerda diz que um dia sem trabalhar no Carnaval é um direito, e afirma que o governo está a piorar todos os dias a economia do país, pois o problema chama-se 'troika'. Autarcas sociais-democratas engrossam o coro de críticas.

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Gigantones do Carnaval de Torres Vedras: "Passos desconhece o país". Foto de Cláudio Franco

O coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, disse este sábado que "a existência de uma tolerância de ponto, de um dia em que não se trabalha no Carnaval, é um direito das pessoas, não é um baile, é um dia em que não são obrigadas a trabalhar de graça pela força do governo".

Para Louçã, a decisão anunciada por Passos Coelho de não dar tolerância de ponto aos funcionários públicos na terça-feira de Carnaval não reflete qualquer preocupação de melhorar a economia do país. “O Governo está a piorar todos os dias a economia do país", argumentou, afirmando que “o problema da economia chama-se ´troika´, chama-se governo, chama-se PSD e CDS, chama-se destruição económica, chama-se obrigar as pessoas a viverem pior, multiplicar a miséria".

PCP e PS criticaram igualmente a decisão, assim como algumas figuras do PSD, como o ex-presidente da câmara de Cascais e ex-conselheiro de Estado António Capucho.

Consequências muito negativas

O presidente da câmara de Loulé, Seruca Emídio, do PSD, considerou “muito negativa” a decisão, defendendo flexibilidade para os locais onde as festividades têm maior tradição.

“A decisão do governo vai trazer consequências muito negativas para os concelhos onde o Carnaval tem maior tradição e onde as organizações investem quantias significativas”, disse à Lusa.

Já o presidente da Fundação do Carnaval de Ovar disse que Passos Coelho revelou desconhecer a realidade do país e ser "um mau gestor que há-de ser responsabilizado" por isso. José Américo Sá Pinto afirmou: "Com esta postura, Passos Coelho revela que desconhece a realidade do país, em particular de dezenas de municípios - talvez já centenas - que fazem do Carnaval um evento que gera riqueza a nível nacional".

Críticas também da área sindical: a sindicalista Ana Avoila, da Frente Comum, prometeu uma "resposta adequada" dos trabalhadores à decisão do Executivo."Este governo pensa que é imune a tudo, que pode calcar e fazer tudo o que quiser com a administração pública, e não é assim. Os trabalhadores saberão dar uma resposta adequada. Este fim de semana vamos tomar posições".

A sindicalista recordou que "o professor Cavaco Silva também fez isso [não dar tolerância de ponto no Carnaval] quando era primeiro-ministro e deu o resultado que deu".