Presidenciais

Candidatos da direita passam à segunda volta na Bolívia

18 de agosto 2025 - 11:04

Nas presidenciais de domingo, a surpresa foi a vitória do democrata-cristão Rodrigo Paz, que disputará a eleição em outubro com o ex-presidente Tuto Quiroga. Divisões no MAS afastaram a esquerda da segunda volta pela primeira vez em 20 anos e quase a deixaram fora do Parlamento.

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Rodrigo Paz e o candidato a vice Edman Lara no encerramento de campanha.
Rodrigo Paz e o candidato a vice Edman Lara no encerramento de campanha. Foto publicada nas redes sociais do candidato.

Os resultados provisórios das eleições  gerais na Bolívia confirmaram o que previam as sondagens: o ciclo político da esquerda ao leme da governação terminou com uma enorme derrota dos candidatos do MAS, o partido liderado durante muitos anos por Evo Morales e que acabou por implodir após as divisões na luta pelo poder interno.

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O que as sondagens não mostraram foi a força eleitoral do senador do centro-direita e candidato do Partido Democrata Cristão, Rodrigo Paz, a quem atribuíram reduzida expressão mas acabou por ser o grande vencedor da noite eleitoral, com 32,2% quando estão contados 95% dos votos. Este ex-autarca e filho do ex-Presidente Jaime Paz Zamora vai disputar a segunda vota a 19 de outubro com Jorge “Tuto” Quiroga, o ex-Presidente que lidera o espaço da extrema-direita, com 26,8%. O liberal Samuel Doria Medina, que liderou as sondagens, acabou fora da segunda volta com apenas 19,9% e já declarou o apoio a Rodrigo Paz.

O ex-Presidente Evo Morales, que pretendia disputar a eleição e foi impedido pelo Tribunal Constitucional de se candidatar a mais mandatos, apelou ao voto nulo nesta eleição e esse apelo foi seguido por 19% dos votantes. À esquerda, o atual líder do Senado e antigo delfim de Morales, Andrónico Rodriguez, não foi além dos 8,2% nestas presidenciais e queixou-se nas redes sociais que “para alguns dirigentes e líderes do movimento popular foram prioritários os seus próprios caprichos, orgulhos e falsas acusações”. O candidato apoiado pelo MAS, após o atual Presidente Luis Arce ter anunciado que não se recandidataria, foi Eduardo del Castillo, que obteve apenas 3,15%.

A derrota do MAS foi ainda mais expressiva nas eleições para o Parlamento e o Senado. No primeiro, onde até agora era maioritário, com a contagem dos votos ainda por terminar terá eleito apenas um dos 130 mandatos, devendo ficar fora do Senado.