Foi publicado esta segunda-feira um relatório, feito por grupos de direitos humanos e de defesa dos direitos dos moradores, como o Sahmakum Teang Tnaut, o Camboja Equitativo, a Liga Cambojana para a Promoção e Defesa dos Direitos Humanos e a Rede da Juventude do Camboja, em que se alerta que um projeto de construção, denominado ING City, vai destruir 90% das zonas húmidas da região, causar incontáveis danos ambientais e potencialmente expulsar milhares de pessoas das suas casas, perdendo também os seus meios de sustento.
Para além disso, segundo o jornal britânico Guardian, o impacto deste projeto terá “efeitos graves na qualidade de vida de entre um a dois milhões de pessoas” e colocará um milhão de habitantes de Phnom Penh, a capital do país, num “risco acrescido de cheias”. As plantas aquáticas da zona funcionam como um sistema natural de tratamento das águas residuais da cidade e de armazenamento de grande parte das suas águas pluviais.
Tudo isto está em risco devido ao projeto da ING City que será construído em Tompoun/Cheung Ek, zonas húmidas a sul de Phnom Penh, com o objetivo de criar uma cidade satélite da capital cambojana, ocupando 2.500 hectares.
Desde 2004 que os empreiteiros, com apoio governamental vêm destruindo este habitat, enchendo-o com areias dragadas de rios de forma a preparar o futuro empreendimento. Cem milhões de toneladas de areias terão sido extraídas do rio Mekong, o que estaria a levar ao colapso das suas margens.
O governo tem alegado que uma estação de tratamento de águas, construída com ajuda japonesa, suprirá os problemas. O relatório agora divulgado nega esta narrativa, defendendo que apenas 2% das águas residuais serão tratadas com esta.
Segundo o Guardian, um dos empreiteiros deste projeto de construção é um ex-secretário de Estado dos Transportes, o milionário Ing Bun Hoaw, que apoia o primeiro-ministro Hun Sen, no poder há 35 anos. E uma das zonas incluídas no projeto é o lago Boeung Cheung Ek, que era zona pública até 2017, altura em que, através de vários decretos, 70% da região acabou por parar nas mãos de privados, vários deles, diz o jornal britânico, ligadas ao governo, nomeadamente uma empresa cuja diretora é filha do primeiro-ministro e outra detida pelo principal conselheiro económico do governo.