Câmara dos Representantes aprova legislação para reforçar serviço postal americano

23 de agosto 2020 - 17:56

Lei surge quando Donald Trump é acusado de tentar prejudicar os correios para evitar um aumento do voto por correspondência nas presidenciais de 3 de novembro. Medida deverá ser vetada no Senado, onde o Partido Republicano tem maioria.

PARTILHAR
Câmara dos Representantes aprova legislação para reforçar serviço postal americano
Fotografia de Kathryn Rotondo/Flickr.

A Câmara dos Representantes aprovou legislação para reforçar o serviço postal dos Estados Unidos com 25 mil milhões de dólares. Este reforço torna-se particularmente relevante quando o voto por correspondência se tornou num argumento nas conversas sobre as eleições presidenciais no país já no próximo mês de novembro. 

Além de dotar os correios com o equivalente a cerca de 21 mil milhões de euros, a legislação proíbe qualquer mudança nas operações postais ou no nível de serviço vigente a 1 de janeiro deste ano e até ao final da pandemia, explica a agência Lusa. 

Aprovado com 257 votos a favor e 150 contra, foram mais de vinte os republicanos que votaram em sentido contrário ao pedido por Donald Trump, que tinha apelado ao chumbo do diploma. 

Contudo, a lei terá ainda de ir ao Senado, sendo pouco provável que por lá passe, uma vez que o Partido Republicano tem a maioria dos lugares. A Casa Branca já anunciou que o Presidente pretende vetá-lo. 

A sessão extraordinária onde se aprovou a legislação foi convocada na sequência de acusações feitas por Nancy Pelosi, entre outros, a Donald Trump de tentar prejudicar os correios para evitar um aumento do voto por correspondência nas presidenciais de 3 de novembro. Pelosi encurtou as férias parlamentares, que numa ocasião normal durariam até setembro, para levar o diploma a votação.

No passado mês de junho Louis DeJoy, aliado do Presidente, iniciou funções como diretor dos serviços postais dos EUA. Desde então, procedeu a várias alterações ao funcionamento dos serviços, com queixas de atrasos, cortes e subida de preços.

Em contexto de pandemia de covid-19, sobretudo no país com mais casos em todo o mundo, o voto por correspondência é uma opção para milhões de cidadãos que procurem evitar deslocar-se às assembleias de voto. 

"Em tempo de pandemia, os serviços postais são a central eleitoral. Os norte-americanos não têm de escolher entre a sua saúde e o direito de voto”, afirmou Nancy Pelosi numa carta aos congressistas do Partido Democrata.

O Presidente dos EUA tem criticado o voto por correspondência, ajudando a criar dúvidas sobre o método eleitoral, insinuando que este abre caminho à fraude. Para Trump, esta forma de voto só se justifica quando os eleitores não estão no seu estado de residência no dia das eleições. 

No passado dia 13, Trump admitiu que tem bloqueado novos fundos pedidos pelos serviços postais para evitar uma votação por correio universal nas presidenciais, afirma a agência Lusa.

As reformas defendidas pelo novo diretor do serviço postal serviriam alegadamente para travar o buraco financeiro dos correios, um serviço público no país. Porém, na prática estão a atrasar o correio, pondo em causa, demorando ou impossibilitando o processamento de milhões de votos enviados desta forma.