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Câmara de Lisboa vai pagar mais 4,7 milhões de euros à Web Summit

A empresa da Web Summit tem um acordo que garante um investimento público anual de 11 milhões durante dez anos, três milhões dos quais são pagos pela Câmara de Lisboa. As alterações a esse acordo prevêem que a autarquia pague mais 4,7 milhões. O Bloco vota contra e alerta para derrapagem no financiamento público.
Web Summit. Lisboa. 2018. Foto de Web Summit. Flickr.
Web Summit. Lisboa. 2018. Foto de Web Summit. Flickr.

Na próxima quinta-feira, a Câmara Municipal de Lisboa vai votar a ratificação do acordo com a Connected Intelligence Limited, a empresa que organiza a Web Summit, que foi celebrado a 5 de novembro de 2018. Em troca de investimento público, esta empresa comprometeu-se com o Estado português e com a CML a organizar o evento na cidade de Lisboa entre 2019 e 2028.

Mas a proposta que vai a votos na Câmara, assinada pelo vereador do PS, Miguel Gaspar, inclui uma adenda na qual se acrescenta o pagamento adicional de 4,7 milhões de euros e o adiamento da expansão para a FIL, que estava previsto para 2021 para 2022. Isto porque “as obras de expansão do recinto não se encontram ainda implementadas” e é “necessário disponibilizar os espaços necessários à realização do evento, ainda que de natureza temporária” para “assegurar a edição deste ano”.

O município garante que os novos compromissos “respondem às necessidades da Web Summit e que na candidatura de Lisboa ao evento foram também assumidas por outras cidades concorrentes”. Para além disso, esclarece que “os 4,7 milhões de euros são relativos ao aluguer de espaços (FIL e Altice Arena), às tendas provisórias para garantir as áreas de exposição que a organização necessita e a aquisição de logística de comunicação ('wi-fi' de última geração, crucial para a realização de um evento desta natureza)”.

O valor de 4,7 milhões de euros vai ser transferido para a Associação de Turismo de Lisboa e depois acabará nos bolsos da empresa promotora do evento. E soma-se ao que já estava previsto: um investimento público anual na ordem de 11 milhões de euros durante um período de 10 anos. Destes, três milhões são da responsabilidade da autarquia.

Bloco vota contra e alerta para derrapagem no financiamento público

Em comunicado o Bloco de Esquerda de Lisboa considera “inaceitável” esta situação.

A estrutura concelhia do Bloco denuncia que “Fernando Medina e António Costa garantiram um espaço que não tinham para o evento de Paddy Cosgrave”. Tendo entrado em acordo para este ano com a empresa para uma ampliação do espaço “sem ter o acordo sobre o tipo de investimento por parte da proprietária”, a AIP, um desacordo que redundou numa “derrapagem que custará aos contribuintes mais 4,7 milhões de euros do que o previsto”.

O Bloco de Esquerda recorda que “desde cedo se posicionou contra o acordo entre a CML e o WebSummit.” Isto porque “apesar de defender que Lisboa deverá acolher iniciativas internacionais com interesse para a cidade e para o país”, questiona a implementação de “um equipamento de gestão privada com 110 mil metros quadrados com financiamento público” não existindo “qualquer projeto, proposta ou plano relativamente à sua utilidade futura”. Ou seja, “é um investimento à medida, que ainda por cima derrapa”, denunciam.

O partido acrescenta ainda que “há, como as pessoas sabem, outras prioridades de investimento na cidade. Habitação, transportes, espaço público”.

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