A Câmara Municipal de Coimbra nomeou a ex-vereadora do Chega Maria Lencastre Portugal para o cargo de gestora-executiva da empresa municipal Prodeso, que detém o Instituto Técnico Artístico e Profissional (ITAP).
O executivo municipal PS/Livre/PAN e Cidadãos por Coimbra, presidido por Ana Abrunhosa, justificou a nomeação por se tratar de alguém “muito alinhada” com o executivo quer “em termos políticos, quer em termos de ideais e de opções”, disse à agência Lusa o vice-presidente da autarquia, Miguel Antunes, acrescentando que “até durante a campanha estava alinhada com a candidatura de Ana Abrunhosa”.
A coligação Avançar Coimbra tem apenas cinco dos onze vereadores, mas tem contado sempre com o voto da vereadora que se desfiliou do Chega poucos meses após ter sido eleita. Maria Lencastre Portugal é assistente social na Universidade de Coimbra e passará a ser remunerada no cargo para que agora foi nomeada.
Na sua apresentação de candidatura, assumia-se como “democrata cristã, assumidamente de direita, católica e mãe de família” e sublinhava ter nascido “com a verdadeira liberdade” dias antes do 25 de Novembro. A promessa que deixava aos eleitores era a de enfrentar “o poder dos “senhores donos disto tudo”, instalados que estão à sombra dos seus diplomas há mais de 5 décadas”.
Agora que passou a vereadora independente, não esconde nas redes sociais a admiração por Ana Abrunhosa, afirmando que “a nossa maneira de ver a política é muito semelhante“ e que tem “a felicidade de aprender com a Presidente porque estou com ela frequentemente. Tenho muito que aprender, a Presidente tem a delicadeza de sabendo que quero aprender, me ensinar”.
Maria Lencastre Portugal confirmou à agência Lusa ter sido escolhida porque “a presidente e o vice-presidente lembraram-se de mim, em virtude de eu ter estado em uníssono com o executivo", acrescentando que nunca pensou na Prodeso e que a sua desvinculação do Chega não está relacionada com a nomeação. Apesar de não ter qualquer experiência em educação ou gestão, garante ter “o perfil certo” para o cargo.
Bloco estranha “silêncio ensurdecedor” dos partidos da coligação Avançar Coimbra
Opinião contrária tem o Bloco de Esquerda de Coimbra, que em comunicado repudiou esta nomeação e considerou “flagrante” o desajustamento entre o currículo da vereadora e o cargo para que foi nomeada.
“Tudo aponta para que estejamos perante uma nomeação política de caráter transacional, com contornos de natureza compensatória, o que em nada contribui para a dignificação da política autárquica”, sublinha a concelhia bloquista de Coimbra.
O Bloco/Coimbra diz ainda estranhar “o silêncio ensurdecedor das forças políticas que compõem esta coligação, depois de na campanha eleitoral se terem batido por maior transparência nas decisões do poder autárquico” da cidade.