As conclusões da reunião do Conselho Geral da Cáritas Portuguesa, que terminou esta segunda-feira em Fátima, são esclarecedoras. Conforme se pode ler no comunicado emitido por este órgão, tendo em conta que "que a taxa de desemprego vai subir e este será de longa duração, o período negro da crise ainda não chegou".
Apesar da perspectiva de crescimento do número de carenciados, a Cáritas Diocesanas “já não têm a capacidade para atender todas as situações que lhe aparecem". Entre outubro de 2009 e outubro de 2010, o número de carenciados que recorrem à Cáritas passou de 5000 para 62000. Este número estará ainda àquem da realidade, já que ficam por contabilizar “aquelas pessoas que procuraram a Cáritas" mas "porque não tem recursos ou porque aquilo que as pessoas necessitam não está ao alcance, a Cáritas não pôde responder".
A "escassa penalização dos rendimentos mais elevados, incluindo as pensões de reforma", a "diminuição de salários da administração pública", "O notório prejuízo das famílias mais numerosas no que respeita ao abono de família, a diminuição de algumas prestações sociais, sem perspectivas da renovação da acção social a favor das pessoas mais carenciadas, o aumento do custo do sistema de justiça, que já era insustentável para os cidadãos de baixos rendimentos, e o aumento do custo de vida, através do aumento do IVA" são algumas das questões que merecem, segundo a Cáritas, ser alvo de uma profunda "profunda reflexão".
Para o presidente da Cáritas o combate ao défice não pode traduzir-se na degradação das condições de vida dos mais desfavorecidos. As pessoas devem ter "o mínimo de condições para subsistirem", adianta Eugénio Fonseca, nesse sentido, estranha que os cortes estejam a ser feitos "em áreas tão estruturais", como a educação, a saúde e a acção social. Este representante alerta que, desta forma, “se fragiliza mais a sociedade portuguesa".