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Brisa: concessionária das auto-estradas à venda

José de Mello e Fundo Arcus anunciaram a venda de 80% da Brisa. Segundo o Jornal de Negócios, a maior fatia da empresa que dá lucros de milhões e que tem concessões garantidas para os próximos anos será vendida até final de junho de 2020.

Dá lucro e tem concessões asseguradas para, pelo menos, os próximos 15 anos. Contudo, os principais accionistas da Brisa querem desfazer-se da maior parte das ações da empresa.

Segundo uma notícia avançada pelo Jornal de Negócios, o Grupo José de Mello prepara-se para sair do comando mas fica com à volta de 20% dos direitos de voto na Brisa. O Fundo Arcus, um fundo de gestão de infraestruturas da AEIF Apollo Investment, vai sair completamente do capital da empresa.

Em 2012, estas duas empresas tinham-se unido na Tagus Holdings S.a.r.l, empresa que sediaram no Luxemburgo, para fazer uma OPA à concessionária de auto-estradas, que lhes valeu o controlo de 84,8% do capital social em detrimento da posição espanhola Abertis. Agora, continuam concertadas para vender 40% dos direitos de voto na Brisa até ao fim do primeiro semestre de 2020.

Segundo a mesma fonte, o Grupo José de Mello “está a trabalhar com o Rothschild e com o Caixa BI, enquanto a Arcus é assessorada pelo Morgan Stanley e o Millennium BCP Investment Banking”.

Fonte do Grupo José de Mello informou que este pretende continuar a ser um “acionista de referência” mas que quer encontrar mais um ou dois outros “acionistas de referência”. O objetivo da venda será reduzir a sua dívida que ronda os 406,5 milhões de euros e aumentar capitais para “reforçar a sua política de investimento nos seus atuais negócios e em novos”.

A Brisa é concessionária das principais auto-estradas do país, várias das quais até 2035, para além de outras concessões noutros pontos do mundo. Em 2018, a empresa teve 158 milhões de lucro. Desde a OPA de 2012 que distribui, em média, 186 milhões de euros por ano em dividendos.

Em janeiro do ano passado, tornou-se conhecido que, em 2016, a Autoridade Tributária anulou uma dívida de cerca de 125 milhões de euros a esta empresa, facto que foi contestado pelo Bloco. Nessa altura, a deputada Mariana Mortágua declarou que “os grandes contribuintes em geral, e as grandes empresas em particular, beneficiam de um quadro legal que facilita o planeamento e têm acesso aos meios que lhes permitem práticas de planeamento fiscal abusivo e mesmo fraude”. Por haver até um parecer interno que dava razão ao fisco, considerou que “não se compreende este perdão a uma grande empresa”.

Segundo Mariana Mortágua esta diferente forma de tratamento do fisco de pequenos e grandes contribuintes “mina a credibilidade do sistema fiscal”.

Nesse mesmo ano de 2016, o Grupo José Mello liderava a lista de maiores devedores do Novo Banco, devendo 945 milhões de euros a esta instituição bancária.

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