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Brasil: Premiado, filme sobre MST será exibido na ONU

O curta-metragem "O que é agroecologia?", de Rafael Forsetto e Kiane Assis, vence concurso e será exibido na abertura da Assembleia Geral da ONU onde Bolsonaro irá discursar. Por Luis Leiria.
Os pesticidas não entram no assentamento Contestado. Foto: reprodução do filme.
Os pesticidas não entram no assentamento Contestado. Foto: reprodução do filme.

Um filme brasileiro ser exibido na abertura da Assembleia Geral da ONU, onde tradicionalmente o primeiro discurso é o do presidente do Brasil, seria normalmente encarado com orgulho pelo mais alto magistrado da nação.

Para Jair Bolsonaro, porém, será motivo de embaraço. O filme, de apenas três minutos, apresenta a produção agroecológica do assentamento Contestado, localizado na Lapa, estado do Paraná, que nasceu de uma ocupação de terra do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ocorrida em 1999. Vinte anos depois, 150 famílias vivem e trabalham no Assentamento Contestado, promovendo um método sustentável, que não faz uso de agrotóxicos e aposta na diversificação de plantios.

Acontece que para Bolsonaro o MST é um movimento “terrorista”. Por outro lado, na curta vigência do seu governo já foi permitido o uso de 290 novos agrotóxicos, segundo o levantamento feito pelo Greenpeace, um recorde de aprovação destes produtos no Brasil. Pelo menos 32% dos produtos aprovados são proibidos na União Europeia.

Ora o filme mostra como no Contestado se cultivam exclusivamente alimentos sem agrotóxicos. Todas as semanas são entregues oito toneladas de verduras, frutas, legumes e temperos agroecológicos a 105 escolas municipais da região. Em 2018 foram comercializadas 270 toneladas de alimentos biológicos e agroecológicos.

Produzir alimentos saudáveis

Para o realizador Rafael Forsetto, ouvido pelo site do MST, o vídeo ganha maior relevância no contexto brasileiro atual, por mostrar que “o MST, tão demonizado pelo atual governo, está na vanguarda desse movimento que visa produzir alimentos saudáveis e proteger o meio ambiente. Sendo reproduzido numa escala tão grande, o filme pode combater a imagem negativa que alguns pintam sobre o MST, através do belo trabalho que seus pequenos agricultores vêm fazendo em prol da biodiversidade”.

No assentamento funciona também a Escola Latino Americana de Agroecologia, instituição criada em 2005, em articulação com a Via Campesina, que oferece cursos em parceria com o Instituto Federal do Paraná (IFPR).

O MST é hoje o maior produtor de alimentos biológicos do Brasil e o maior produtor de arroz biológico da América Latina, exportando 30% desta produção para demais países da América Latina, América do Norte, Europa e Oceania.

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